São Paulo - As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), principal grupo guerrilheiro do país, anunciaram ontem que deixarão nas mãos do presidente do país, Andrés Pastrana, a decisão sobre a continuidade ou não do processo de paz, numa carta enviada a dirigentes políticos, empresariais e sindicais. A carta foi divulgada enquanto negociadores da guerrilha e do governo se encontravam para tentar destravar o processo de paz, paralisado desde outubro.
As duas partes corriam contra o relógio para tentar uma volta ao diálogo antes do dia 20, quando vence o prazo de concessão da zona desmilitarizada de 42 mil km2 (área pouco maior que a Suíça), cedida pelo governo em 1998 para o início das negociações. O encontro de ontem era uma continuação do que foi realizado na quinta e na sexta passadas e que foi finalizado sem acordo.
O processo de paz se encontra em seu momento mais tenso, segundo reconhecem as duas partes. As Farc exigem, para retomar o diálogo, que o governo retire seus militares do entorno da zona desmilitarizada. O governo, por sua vez, nega-se a fazê-lo e diz que as condições de segurança exigidas pela guerrilha estão dadas. O efetivo na região foi reforçado após o assassinato de uma ex-ministra, em outubro. O crime é atribuído às Farc.
‘‘Após analisar os últimos acontecimentos e declarações de funcionários civis e militares do governo, com relação às medidas que originaram o estancamento dos diálogos, decidimos nos declarar à espera das decisões que a respeito possa tomar o senhor presidente no próximo dia 20 de janeiro’’, diz a guerrilha na carta divulgada ontem.
Segundo o documento, o líder da guerrilha, Manuel ‘‘Tirofijo’’ Marulanda, enviou outra carta a Pastrana com propostas para superar o impasse. O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Fernando Tapias, disse que as Farc deveriam ‘‘deixar as evasivas e se comprometer sinceramente com o processo de paz’’.

mockup