Pastoral da Criança, o apoio à vida
O Brasil vive um momento muito importante na sua história com a indicação da Pastoral da Criança ao Nobel da Paz, prêmio nunca recebido por qualquer brasileiro, mesmo em outras áreas.
A médica sanitarista Zilda Arns Neumann (hoje coordenadora nacional da Pastoral da Criança) e seu irmão, o cardeal D. Paulo Evaristo Arns, há 18 anos iniciaram esse trabalho pioneiro em parceria com a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), com o apoio do cardeal D. Geraldo Majella Agnelo, na época arcebispo da Arquidiocese de Londrina.
Essa idéia é um exemplo de que a simplicidade, somada ao conhecimento científico, à boa vontade e ao altruísmo dos voluntários, consiste numa solução barata e eficaz que a saúde e outras áreas da administração pública necessitam.
No primeiro município em que funcionou, que foi Florestópolis (a cerca de 70km de Londrina), a Pastoral da Criança conseguiu reduzir pela metade o índice de mortalidade infantil.
Esta entidade, que salva milhares de vidas, age com maior eficácia nos bolsões de pobreza, onde as políticas de saúde pública não têm conseguido grandes resultados, e é hoje um dos melhores mecanismos em defesa da vida dos recém-nascidos e crianças de até 6 anos. O modelo já é seguido em mais de dez países e no Brasil conta com mais de 140 mil voluntários distribuídos em mais de 50% dos municípios.
Tudo isso porque este trabalho conseguiu incorporar e transmitir, nesta virada de século, a idéia fundamental para a melhoria das condições de vida das crianças e mães do mundo inteiro: o espírito cristão de solidariedade e o altruísmo dos seus voluntários, exemplo que deve ser seguido por todas as nações, principalmente as mais pobres.
Líderes de várias instituições (inclusive de outras religiões como evangélicos, judeus, muçulmanos e espíritas) assinaram manifesto de apoio à indicação da Pastoral a esse prêmio. Apesar de não ter qualquer peso na decisão do Comitê Nobel da Paz em Oslo (Noruega), o manifesto é uma demonstração de que a população está apoiando essa idéia.
Como cidadão londrinense, conclamo a todos: munícipes, imprensa, instituições públicas ou privadas que deixemos de lado as diferenças e abracemos esta causa, encaminhando cartas de apoio à indicação da Pastoral da Criança ao Prêmio Nobel da Paz, enviando mensagens para a CNBB, a Pastoral da Criança ou a Presidência da República.
Em outubro, se o Comitê do Nobel da Paz decidir por outro trabalho, nossa mobilização terá demonstrado o reconhecimento dos brasileiros à capacidade da Dra. Zilda, o respeito e reconhecimento que mantemos pela Pastoral da Criança e pelo Prêmio Nobel da Paz, que ajudam a salvar vidas em diversas nações oprimidas por conflitos, guerras ou mesmo pela miséria.
- ROBERTO KANASHIRO é vereador em Londrina





