Filipe, de 9 anos de idade, decidiu se desfazer das cartas do ''Yu-Gi-Oh'' e do Magic. A decisão foi tomada após uma conversa com o pai, o pastor evangélico Alfredo dos Santos Oliva, 36 anos, que faz curso de doutorado em História Social. Pastor há 12 anos, Oliva é estudioso das concepções e ritos que envolvem o diabo e seus demônios. ''A figura de um demônio nessas cartas não é uma suposição. A carta usa o nome demônio ou de criaturas sombrias, similares a demônios'', observa.
O pastor entende que as cartas não exercem influências negativas sobre as pessoas. Mas observa que esse tipo de conteúdo pode prejudicar crianças que não têm maturidade emocional e espiritual para lidar com valores ''que não são sadios''. ''Imagine crianças de quatro, cinco e seis anos em contato com desenhos de criaturas ruins e assombradas...'', comenta o pastor.
Oliva entende que os pais têm o papel de ajudar os filhos a construírem o valor do bem, a selecionar e ajudar a criança a ter senso crítico. Ele enfatiza que não há neutralidade no conteúdo transmitido pelos veículos de comunicação, que costumam influenciar diretamente o comportamento das crianças. Observa que os programas são elaborados por pessoas que têm um posicionamento em relação à vida. ''E aí os pais precisam decidir que papel pretendem exercer sobre os filhos em relação ao modo de relacionamento, valores na relação familiar, uso do dinheiro, consumismo etc'', destaca.
Na opinião do pastor, os pais e educadores devem estar atentos para informações que chegam de forma ''distraída'' e que acabam tendo reflexos negativos sobre o imaginário infantil. Ele esclarece que objetos por si só não têm poder de exercer influências sobre as pessoas. E cita como exemplo a Bíblia. ''Tem gente que acha que deixando-a aberta no salmo 90 afasta as coisas ruins. Isso é pura superstição. Eu creio que a Bíblia é poderosa à medida que é lida e vivida'', prega o pastor.

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