Pastor Messias, um ícone
O Messias de Londrina é o ungido do Senhor e por onde passou deixou um odor de Deus
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de março de 2025
O Messias de Londrina é o ungido do Senhor e por onde passou deixou um odor de Deus
Padre Manuel Joaquim R. dos Santos 
Há eventos que marcam. Há momentos que nos transformam, que nos enriquecem. Há encontros que são únicos. Há poucos dias atrás, assim foi! Reencontrei durante um almoço, o meu estimado amigo pastor Messias. Sua áurea bíblico-espiritual é envolvente. Ninguém cruza com ele inadvertidamente. A sagacidade dos seus olhos, reflete o brilho de um enamorado pela Palavra que é o próprio Cristo, a quem ele entregou a sua existência aos 17 anos. Nunca mais olhou para trás! Messias faz jus ao nome!
Sem pressa, dirige os seus passos pautados pela idade, olha o interlocutor de frente, pega o seu rosto entre as mãos e saúda-o com o ósculo da paz. Assim são os que professam o nome do Cristo! Quebram barreiras, destroem fossos, abominam preconceitos, abrem espaço ao diferente. São ecumênicos por natureza, privilegiam o que nos une em detrimento do que eventualmente poder-nos-ia separar.
Pastor Messias cultivou uma linda e sadia amizade com dom Albano, terceiro arcebispo de Londrina. Os dois oravam juntos pela cidade e “trocavam figurinhas”, usando uma gíria bem popular! É o reverendo que agora evoca o nome do bispo com o máximo de reverência, deixando que os seus olhos marejem ao reviver episódios marcantes. Memórias que levará até ao encontro definitivo.
Rimos juntos. Ótimas risadas beirando a gargalhada! O rir é humano. O humor rima com amor. Jesus era bem humorado, me lembrou o jubilado. Tive que concordar. Com o humor se conquistam corações. O Mestre não era rígido, engessado ou taciturno. Bem pelo contrário! Gostava de comer e beber com os amigos, assim como nós o estávamos fazendo ali. Entre uma garfada e outra, vinha um versículo bíblico, uma atitude de Jesus inolvidável na vida de quem com Ele se encontrava! Trazíamos para os dias de hoje a Espiritualidade do caso. Isso é evangelizar, pastorear. A Bíblia não é letra morta! O pastor Messias transita pelo Antigo e Novo Testamento com a desenvoltura de um verdadeiro “homem de Deus”. Dá gosto escutá-lo e perceber o seu senso de oportunidade na evocação de um determinado capítulo ou versículo! É invejável!
A primeira vez que me embriaguei com a sua sabedoria – aquela que não se estuda nos bancos universitários – foi numa celebração natalina, num Banco. “Os magos, depois que encontraram Jesus, seguiram por outro caminho” (Mt 2,12). Nunca mais deixei passar um ano, sem fazer referência a esta passagem e apontar o nome do pastor que a resgatou, naquela manhã de dezembro. Desde aí, sucederam-se inúmeros, inclusive inéditos, como quando o convidei para pregar na missa nos sagrados Corações. Na época, brincávamos que as nossas celebrações de domingo à noite, saturavam o trânsito na rua Mato Grosso!
Contudo, a que mais me marcou, foi durante uma celebração do Dia Internacional da Mulher. Era na igreja católica e, portanto, fui gentil, deixando-o falar primeiro. Ele simplesmente, disse tudo que eu tinha preparado! Restou-me a mim, o bom senso de concluir: “o Pastor Messias tem 48 anos de ministério e eu 12; então faço minhas as suas palavras”! O povo aplaudiu, até porque o calor era insuportável!
No final do referido almoço, o ancião – acompanhado de outro amigo, o pastor José António – nos presenteou com uma suculenta e esplêndida sobremesa! Várias passagens bíblicas “ditas sobre nós”; mas uma especial, à minha pessoa: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração” (Is 61,1). Esse mesmo texto, Jesus o leu em Nazaré, a sua terra Natal (Lc 4, 16).
O Messias de Londrina é o ungido do Senhor e por onde passou deixou um rastro de eternidade, um odor de Deus. É uma lenda londrinense. É um patrimônio que ultrapassa a denominação protestante. Ganhei o dia com esse almoço!
Padre Manuel Joaquim R. dos Santos, Arquidiocese de Londrina


