Parto humanizado e direito de escolha
A quantidade de cesarianas realizadas no Brasil está bem acima da média mundial. A taxa é de 40% no Sistema Único de Saúde e chega a 84% nos planos de saúde. Esses índices colocam o Brasil no topo do ranking na realização desse tipo de procedimento e são muito maiores do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de no máximo 15%, e de outros países como Inglaterra, França e Argentina.
Autoridades em saúde afirmam que a cesárea feita sem necessidade aumenta em 120 vezes a probabilidade de surgimento de problemas respiratórios para o recém-nascido, em 25% os óbitos infantil neonatais e triplica o risco de morte materna. No entanto, também é fato que as cesáreas são um importante avanço científico e que também contribuem significativamente para salvar vidas, tanto do bebê quanto da mãe.
Especialistas afirmam que no Brasil há a "cultura da cesárea". Muitas gestantes fazem a opção pelo procedimento cirúrgico temor das dores do parto normal, enquanto alguns médicos reforçam a indicação com suas pacientes também pela praticidade de realizar uma cirurgia com horário marcado. Se há esse comportamento arraigado na sociedade, talvez a realização de campanhas de conscientização junto às futuras mães possa trazer resultados positivos.
No entanto, não se trata apenas disso. A redução do número de cesáreas também requer investimentos do governo na capacitação dos profissionais da saúde, na adequação de estruturas dos hospitais e na aquisição de equipamentos específicos. Tem que ser desenvolvido um trabalho desde o início da gestação, com a realização de exames e até mesmo com a indicação do melhor procedimento.
No entanto, também não pode ocorrer uma "caça às bruxas" contra as mulheres que optarem pelas cesáreas. As mães têm o direito de escolha e não podem ser julgadas pela sociedade. É preciso que as informações cheguem corretamente às famílias e que o Estado ofereça a estrutura necessária para apoiar a mulher, em qualquer uma da sua decisão.





