As pesquisas eleitorais no Brasil, hoje, são confiáveis e têm, no mais dos casos, se revelado corretas, por isso é de se acreditar pela última consulta popular do instituto Sensus que o presidente Lula se reelegeria no primeiro turno se a eleição fosse agora. E isto não por seu mérito mas pela fragilidade dos demais candidatos potenciais. O que vem demonstrar que os partidos políticos são de baixa produtividade e não criaram homens à altura e de aceitação popular para concorrer ao mais alto cargo da República. A usina de produção de bons postulantes, portanto, perdeu sua voltagem e revela-se de fraca potência. O concorrente mais pesado de Lula, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, do PSDB, caiu de 20,6% para 18,7% na coleta de intenções de voto, o mesmo acontecendo com o ''faquir'' Anthony Garotinho e com os demais, estes com baixo teor de preferência desde o início. Só a senadora alagoana Heloisa Helena subiu de 4,3% para 6,1%, mas aparentemente está longe de chegar ao trono. Não cabe agora avaliar se o povo sabe ou não votar e se irá reeleger ou não Luiz Inácio, e sim constatar que as instituições partidárias não conseguem nomes de estatura para concorrer. Se, mesmo com o fraco desempenho do Governo Lula, isto não foi possível, então os partidos estão mal. Em momentos como este, de antevéspera de eleição presidencial, deveria haver um substancial punhado de proeminentes candidatos se apresentando, e assim o eleitorado faria a opção entre os melhores, sem ter optar por um ruim entre os piores. O mostruário é feio e está difícil escolher, e no entanto a legislação obriga a aquisição de um desses produtos. Votar em branco ou anular o voto será um erro, porque a democracia representativa ainda não encontrou um meio melhor de escolha, a não ser por via da decisão da maioria. A população deveria se filiar em maior número aos partidos, para começar a influir e decidir a partir daí. Desalenta é esse fracasso da denominada representatividade partidária que é capenga porque só representa as cúpulas por não disponibilizar nomes à altura para o grande pleito da nação. E não os disponibiliza porque não os tem, e se não os tem é porque não os formou. O que se traduz pela nulidade da mais relevante das atribuições partidárias.

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