A participação popular é princípio básico da democracia. É por meio dela que podem ser definidas, implementadas e ajustadas políticas públicas; que podem ser direcionados recursos para programas e projetos sociais que contribuam efetivamente para melhoria de vida da população, entre várias outras iniciativas. Também incentivar o envolvimento da sociedade nas questões públicas é dever do Estado.
O artigo 1º da Constituição Federal estabelece como cláusula pétrea que "todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente". Além disso, a Carta Magna brasileira incentiva a colaboração da sociedade na gestão do ensino público, no planejamento do enfrentamento dos problemas de saúde pública por meio dos conselhos tripartites do Sistema Único de Saúde, entre vários outros processos em áreas diversas. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que mais de 5 milhões de pessoas ajudaram a formular, implementar ou fiscalizar as políticas públicas no Brasil.
Apesar do número expressivo, a sensação entre os brasileiros é a de que o povo pouco participa da definição dessas políticas e que as autoridades não ouvem a opinião popular. Esse sentimento é reflexo também do afastamento dos cidadãos da vida pública e dos recorrentes e sucessivos escândalos de corrupção. Se a sociedade chegou a um estado de esgotamento com as questões ilegais e irregulares praticadas quase que diariamente pela classe política não seria melhor percorrer o caminho inverso?
Os brasileiros precisam participar mais da vida pública do País. Além de votar, é preciso escolher bem seus candidatos e, principalmente, fiscalizar seus atos. A indignação – presente na maioria dos cidadãos – tem que ser direcionada a ações mais efetivas. Não adianta apenas reclamar de leis inócuas, de desperdício de dinheiro público e de desvio de comportamento de políticos. É preciso agir, participar e, sobretudo, fiscalizar.

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