Participação do empresário na política
Não é pela doação de dinheiro para as campanhas eleitorais que o empresário participa da política, mas acompanhando o desempenho dos eleitos. Esta a sábia orientação, conforme manifestou-se, em declaração a este Jornal, o presidente do Conselho Superior da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Ardisson Akel. Essa posição é anunciada no momento em que a Justiça Eleitoral endurece a fiscalização sobre doação de verbas para os candidatos, medida tomada depois dos vergonhosos escândalos da política brasileira no ano passado que, em verdade, não cessaram, pois tiveram continuidade em 2006. ''O empresário deve ter uma postura cidadã, mais ativa e politicamente responsável'', enfatiza Akel, significando que não basta ajudar financeiramente o candidato e elegê-lo se depois ele for deixado livre e sem cobrança. O empresariado também precisa definir suas políticas reivindicatórias, para que sejam unas e conjuntas. Isto a Federação das Indústrias está buscando, por meio da Rede de Participação do Empresariado, via internet. A doação de recursos da classe empresarial para as campanhas políticas é uma prática comum na democracia, mas as formas são cercadas da maior transparência e sem os famigerados caixas 2, usuais no Brasil, e não só nas campanhas mas também no correr das administrações públicas. O mais grave não é o dinheiro que os candidatos arrecadam e gastam e de muitos modos as campanhas dinamizam a economia e sim a ausência de participação das classes empresariais e do povo em geral no policiamento ao desempenho dos candidatos que chegam ao poder. Conscientes disso, esses maus políticos que são a maioria neste país sentem-se à vontade para fazer o que bem entendem, com o adicional de que a flexibilidade das leis (que eles mesmos propõem, aprovam e mantêm) permite que os mais audazes ladrões do dinheiro público consigam ir se safando, até que os prazos caduquem e eles voltem a candidatar-se. A formação de bancadas específicas nos parlamentos é uma forma de representação dos segmentos empresariais e da sociedade, e uma marca da democracia, pois os parlamentares devem ser os representantes da comunidade a que servem, e esta é múltipla. Para isso, esses segmentos precisam formular suas propostas às casas legislativas que são as que elaboram novas leis e extinguem as inadequadas e vigiá-las. É dessa maneira que a população também passa a exercer governo.





