O turismo é o setor econômico que mais cresce no mundo, e o Brasil pontifica neste contexto, pois detém seguramente um dos maiores potenciais da área. Segundo a Embratur, em 2000, a indústria turística correspondeu a 4% do nosso PIB, com influência em 52 segmentos da economia. Em particular, geraram-se US$ 9,3 bilhões de receitas diretas, com a movimentação de 52 milhões de viajantes domésticos. Graças à atividade do turismo, mantiveram-se 6 milhões de postos de trabalho no Brasil. Agregue-se ainda o fato da vinda de 5,3 milhões de turistas estrangeiros, que geraram o ingresso de US$ 4,2 bilhões.
Os números são impressionantes – e Londrina está incluída nesse pacote, pois tem perfil, vocação e apresenta condições básicas e estratégicas para se dar bem no segmento.
Com suas características, Londrina reúne condições essenciais para articular o desenvolvimento de vários segmentos do turismo, o de negócios, o técnico-científico e, ainda, a partir de um processo articulado entre o público e o privado, pode desenvolver o ecoturismo e o turismo de lazer.
Aqui entra o Parque Arthur Thomas, base natural formada para a instalação de um complexo formidável em Londrina. Como o parque está sobre o Aquifero Guarani (anteriormente denominado Botucatu), o complexo poderá dispor de piscinas de águas quentes, de 42 ou 43 graus. Toda uma estrutura de serviços seria implantada na área, transformando-se o Arthur Thomas em um centro de turismo de alta envergadura.
O mercado/emissor/consumidor desse tipo de empreendimento é composto por 16 milhões de pessoas, num raio de 400 quilômetros, incluindo Curitiba e São Paulo. Hoje, esse grupo de pessoas dispõe como alternativa de lazer as águas quentes de Goiás ou o Pantanal de Mato Grosso. Significa três vezes mais que a população em torno das águas quentes de Goiás (5 milhões de pessoas).
Portanto, Londrina, se utilizar criatividade e empreendedorismo, pode estabelecer um destino melhor para o Parque Arthur Thomas. Temos mais vantagens que lugares mais distantes. Primeiro, a constatação do fácil acesso: Londrina conta, hoje, com 56 pousos e decolagens por dia, ligando-se por rodovia a todo o Brasil – são 265 ônibus chegando e saindo por dia – até por ser um centro econômico de primeira grandeza. Estamos mais próximos de São Paulo do que das águas termais de Goiás.
É preciso considerar que quem vai às águas quentes de Goiás precisa comprar um pacote turístico. Por ano, são vendidos cerca de 2,5 mil pacotes (60% em transporte aéreo e 40% em terrestre). E o potencial de Londrina? Pela proximidade de grandes centros emissores e beneficiado pela estrutura de transporte regular, que interliga Londrina a esses centros, sem que o turista precise se subordinar a pacotes/grupos e transporte especial, teremos capacidade de triplicar os pacotes hoje vendidos para aquelas termas.
Mais ainda: o Parque Arthur Thomas permite o acesso fácil dos contingentes do contorno, que para aqui se deslocarão na busca de alternativa natural de lazer. Ou seja, Londrina terá condições de receber a média de 400 mil turistas por ano. A média de gasto é de R$ 100 por turista/dia. Significa que cada turista deixará em Londrina R$ 700 por semana, o que significa cerca de R$ 40 milhões por ano.
Somos, ainda, a porta que abre a grande casa do Mercosul. Portanto, em termos de PIB, basta comparar o produto deste vasto território com o da região das termas goianas. É diferença oceânica. Sob o aspecto de aparato e estrutura, precisamos, sem dúvida, partir para a ação, considerando a existência e o potencial do Aquifero Guarani.
Como fazer isso? Ora, primeiro, motivando a administração pública, que deve dar o sinal verde, a motivação adicional e as ações necessárias de sua parte para a proposição ter continuidade. Segundo, chamando a atenção da iniciativa privada e atraindo investimentos. O êxito da idéia do parque depende da capacidade de entendimento e movimentação das autoridades e da comunidade.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina e presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar)

mockup