Parlamentares só discutindo os próprios desmandos
Um fenômeno só encontrável em nações de baixa densidade política ocorre no Congresso Nacional. É que a quase totalidade de seu tempo é gasto com acusações e rebates ligados aos seus próprios desmandos. Não a discussão de temas de relevância nacional, como as grandes reformas que precisam acontecer, mas uma frequência de assuntos que sempre têm a ver com denúncias de suas próprias irregularidades. E tantos são os escândalos denunciados que a opinião pública já nem consegue guardá-los na memória.
Se é incumbência dos poderes - segundo as atribuições pertinentes e as normas regimentais - fiscalizar-se mutuamente e fiscalizar os próprios atos, a situação chegou a tal ponto que, não bastasse o mal motivador da denúncia, o sistema parlamentar tem gastado a maior parte do seu preciosíssimo tempo (porque tem um custo à nação) a ataques e explicações em torno de mútuas acusações.
Agora é a questão dos atos secretos, dias atrás foi a revelação dos lançamentos de créditos nas contas de parlamentares sem que eles - como cinicamente disseram - houvessem percebido; foi o abuso do uso de passagens aéreas; mais atrás as verbas indenizatórias, o nepotismo sem controle, os cartões corporativos, a cessão de apartamentos funcionais para uso de terceiros, a história vergonhosa das ambulâncias, o caso Renan Calheiros, mensalões e assim por diante. Já nem se fala de como é escandalizante esse estado de coisas e faz-se uma pausa, quanto a isso, para ressaltar que o Congresso praticamente só se ocupa de tais assuntos em suas sessões. Estão sempre presentes as CPIs, que se são necessárias quando uma situação exige - como a da recente denúncia contra a Petrobras - no mais dos casos não resultam em nada. Mas tomam tempo, que é roubado da pauta de temas mais relevantes e que mofam nas gavetas. Também ocorrem casos semelhantes em assembleias legislativas e em câmaras de vereadores.
No Paraná é ainda o caso do deputado alcoolizado que matou duas pessoas com seu automóvel em alta velocidade; é o dos parlamentares com a carteira de motorista vencida e muitas infrações de trânsito. Em Londrina foram os escândalos do ano passado na Câmara, tomando tempo e atrasando a pauta legislativa.
Insiste-se no quanto tempo se gasta com tais discussões oriundas de seus próprios descaminhos e que se tornam predominantes nas ordens do dia. A opinião pública já está farta de tanto escândalo envolvendo esses homens públicos e da baixa operância resultante desse gasto de tempo com a lavagem da própria roupa suja.





