Parlamentares não fazem nada para perder
Não se pode esperar que parlamentares tomem alguma medida que prejudique seus ganhos. O presidente do Senado, José Sarney, defende o fim da verba indenizatória (de R$ 15 mil mensais) dos integrantes das duas Casas para os gastos nas andanças pelas suas bases mas já há um movimento no Congresso concordando com tal extinção mas impondo que o valor correspondente seja incorporado ao salário. Assim, eles trocam seis por meia dúzia. Os parlamentares declaram que é preciso dar transparência aos gastos mas este é apenas um discurso de efeito, porque não desejam perder regalia nenhuma.
De sua vez, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) chegou a apresentar proposta de emenda constitucional, também favorável ao corte citado mas propondo que o salário de deputados e senadores seja equiparado ao dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que é de R$ 24,5 mil. Uma pequena economia com relação ao que quer a maioria dos demais, mas ainda a busca de compensação.
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) concorda com a proposta de Mozarildo mas proferiria uma frase digna de registro e que, no mínimo, revela um estado de espírito dominante no meio parlamentar: Sou favorável a tudo que facilite nossa vida. Sarney diz que a hora é de pensar num caminho para resolver a questão, mas se sugestões lhe faltam, um sadia providência é cortar a verba indenizatória sem compensações. O povo agradeceria. Difícil imaginar uma tal medida tratando-se do velho político, acomodador de situações quando têm a ver com os benefícios dos pares.
E enquanto estes fatos acontecem, o partido Democratas quer explicação sobre o exorbitante gasto de ministérios e estatais com o recente encontro nacional de prefeitos em Brasilia, uma promoção sabidamente destinada a robustecer a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. A despesa declarada foi de R$ 235 mil, mas já há informação de que sobe para R$ 1,85 milhão. O escândalo ademais pela denúncia de que há mentira pode resultar em ação daquele partido contra o Governo, embora sabendo-se que se o DEM estivesse no poder certamente faria o mesmo.
Que se preparem os brasileiros porque Lula moverá terra e céu para ver sua favorita subir ao trono presidencial. E para isso não poupará eventos e nem viagens pelo Brasil, naturalmente a um custo elevadíssimo, que o povo pagará.





