Páreo foi duro na maioria dos Estados
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domingo, 27 de outubro de 2002
Das agências 
Por volta das 21h30 de ontem, o quadro da sucessão nos governos do Estado que tiveram disputa em segundo turno começou a se definir. Um dos primeiros nomes que emergiram das urnas foi o de Wilma de Faria (PSB), eleita governadora do Rio Grande do Norte. Prefeita de Natal por três vezes, Wilma concorrera ao governo em 94 quando ficou na quarta colocação, com apenas 3,83% dos votos.
A sua eleição causa certa surpresa, considerando que no começo deste ano ela sequer tinha seu nome aventado para concorrer ao pleito. Pregou ao longo da campanha um discurso calcado na mudança, colocando-se com ''terceira via'' à política potiguar tradicional protagonizada sobretudo pelos clãs dos Alves e dos Maia , apesar de ter sido casada por 26 anos com o ex-governador Lavoisier Maia.
Waldez Góes (PDT), 40, venceu a eleição no Amapá, derrotando a governadora e candidata à reeleição Dalva Figueiredo (PT), 41, em uma das disputas mais acirradas entre partidos de esquerda no Norte do País. Góes atribuiu a vitória a um sentimento de mudança, segundo ele, como o que ocorreu na disputa presidencial. Em 98, ele perdeu sua segunda eleição ao governo do Amapá.
Em Roraima, pouco antes de terminar a apuração, o governador Flamarion Portela (PSL), 48, estava virtualmente reeleito. Foi invertido o resultado do primeiro turno, o mais disputado do País, no qual ele ficou em segundo lugar por uma diferença de apenas 923 votos. Eleito vice-governador, Flamarion assumiu em abril, quando o governador Neudo Campos (PFL) se desincompatibilizou para concorrer ao Senado e acabou perdendo a eleição. O governador, que reuniu 14 partidos na sua coligação, do PT ao PFL, derrotou o brigadeiro da reserva Ottomar Pinto, 71, uma das mais antigas lideranças políticas no Estado.
O engenheiro João Alves Filho (PFL), 60, conquistou seu terceiro mandato à frente do governo de Sergipe. Candidato pela coligação ''João na Cabeça e Sergipe no Coração'', ele polarizou as eleições contra o seu ''inimigo político'', o atual governador Albano Franco (PSDB), que apoiou a candidatura de Francisco Rollemberg (PTN). O governador eleito nasceu em Aracaju, capital do Estado, e seu primeiro cargo eletivo foi como prefeito da cidade, entre 1975 e 79. Foi eleito governador do Estado pela primeira vez em 1983. Ocupou o cargo de ministro do Interior no governo José Sarney, de 87 a 90, e foi conduzido pela segunda vez ao governo de Sergipe no período 91 a 94.
Na Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), 39, foi eleito, interrompendo a hegemonia de 16 anos no Estado do PMDB, partido do seu adversário no segundo turno, Roberto Paulino. Desde a redemocratização, em 85, representantes do PMDB haviam vencido todos os pleitos: Tarcísio Burity, em 86, Ronaldo Cunha Lima, em 90, Antônio Mariz, em 94, e José Maranhão, em 98.
Em Rondônia, a apuração não havia sido concluída até o fechamento desta edição, mas era certa a vitória de Ivo Cassol (PSDB). Com 99,7% das urnas apuradas, ele tinha 59,1% dos votos. Seu adversário, Bianco (PFL) tinha 40,9%.
Com o apoio das principais lideranças políticas do Ceará, como a do senador eleito Tasso Jereissati (PSDB) e da ex-mulher de Ciro Gomes, Patrícia Gomes (PPS), também eleita para o Senado, o médico e senador Lúcio Alcântara, 59, venceu a eleição para o governo do Ceará no segundo turno. Ele disputou o governo com o petista José Airton Cirilo, 45, numa disputa apertada. Alcântara obteve 50,04% dos votos válidos (1.765.291 votos). Já o adversário teve 49,96% (1.762.374 votos).


