Parcerias tri-setoriais para a viabilização de eventos sustentáveis
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terça-feira, 21 de agosto de 2018
Os eventos seguem sendo a melhor ferramenta para reunir ideias, públicos e oportunidades de negócios sob o mesmo "guarda-chuva". A tecnologia vai e vem, mas o encontro olho no olho continua sendo a melhor maneira de realizar trocas no mundo business. Mas, embora seja de fundamental importância para os indivíduos, a fragilidade do setor permanece, as verbas de marketing são cada vez mais pulverizadas e os eventos dependem cada vez mais da realização de parcerias. Em Londrina, isso não é diferente, a exemplo do Filo, que teve sua data suspensa.
Mediante o reconhecimento deste cenário, a cooperação entre clientes, líderes e empreendimentos locais é fundamental para o estabelecimento da confiança nas relações entre autoridades públicas e privadas. Neste sentido, os eventos podem contribuir para mitigar desigualdades no ambiente socioeconômico, ao colocar em perspectiva as relações de riqueza, poder e prestígio, devido à distribuição dos recursos que os eventos promovem na cadeia produtiva do turismo.
Nesse contexto, no qual alguns dos modelos atuais de gerenciar eventos estão obsoletos e necessitando de uma revisão urgente no seu modus operandi, observa-se a importância de se manter boas relações tri-setoriais, que têm por meta unir recursos e expertises que caracterizem a cooperação entre os três setores, a sociedade civil, o Estado e o mercado. A premissa é dividir a responsabilidade para que haja uso mais eficaz dos recursos públicos e privados. Importante ressaltar que a visão de tri-setorialidade está focada nos processos de gestão e planejamento das atividades em conjunto, cada um direcionando da melhor forma os seus saberes.
Neste momento, vale a pena resgatarmos o conceito de parceria, que propõe a colaboração e iniciativas específicas e bem focadas, podendo envolver, por exemplo, financiamento de projetos ou concessão de produtos e serviços, observadas as condições de know how, a exemplo das parcerias público-privadas (PPPs) para os centros de convenções. Mas, diante da crise, precisamos transcender, o momento exige mais, precisamos inovar, buscar novas maneiras de colaboração, nas quais uma análise de objetivos comuns fundamente um alinhamento real de interesses e possíveis ganhos. É necessário engajamento em todos os níveis, envolvendo todos os stakeholders.
E neste sentido, como envolver os diferentes níveis decisores da cadeia produtiva? Apenas treinamentos não são mais eficazes e, não somente as gerências, todos têm que estar engajados no processo. Diante dessa necessidade de engajamento, o mundo globalizado está exigindo mudança para ações mais sustentáveis em prol dos indivíduos, das organizações e da sociedade. Isto posto e dentre tantos desafios, como trabalhar sua organização dentro de uma necessidade de sustentabilidade socioeconômica? Para alinharmos a conversa, sustentabilidade remete a desenvolvimento equilibrado, com distribuição de renda, visando qualidade de vida. Não é para isso que servem os eventos?
Em meus 25 anos de experiência no mercado, ainda não vi nada mais eficaz do que trabalhar em rede. Falo aqui do conceito amplo, não só das mídias sociais, que fazem parte, é claro, pois a ideia de redes envolve a imagem de conectividade entre indivíduos da organização, o engajamento pleno de indivíduos e organizações. Mas não se restringe a isso, envolve fazer uma reflexão sobre o padrão de relações pessoais, avaliar como é a dinâmica de laços entre os diversos interlocutores do ecossistema. Neste sentido, trabalhar em rede significa a criação e fortalecimento de parcerias que gerem trocas reais, em que cada participante entende sua importância, seu papel e o retorno que o trabalho em cooperação traz. Em momentos críticos como o que passamos no Brasil atualmente, com baixo padrão de desenvolvimento, exige-se que adotemos formas mais criativas de atuação, que nos ajudem a criar eventos mais sustentáveis. Comecemos pelo Filo.
MAITÊ UHLMANN é diretora de Turismo da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina)
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