PARCERIA INÉDITA - Igreja e estado se unem contra o uso de drogas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
A primeira fase do projeto ''Prevenção do uso de drogas em instituições religiosas e movimentos afins'', da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), começou ontem em diversos estados do Brasil. Com 5 mil inscritos, sendo 558 do Paraná, o objetivo é capacitar os líderes religiosos para atuarem na prevenção do uso de drogas. É a primeira vez que igreja e governo se unem para tentar reduzir o número de dependentes químicos no País.
A secretária adjunta do Senad, Paulina do Carmo Duarte, explica como vai ser a capacitação e quais serão os temas abordados. ''As aulas vão acontecer por meio do ensino a distância'', diz Paulina, que também fala da importância da atuação conjunta da igreja e do estado.
Como vai ser a capacitação dos líderes?
A capacitação é feita por meio da modalidade de ensino a distância. Os inscritos recebem livro e dois CDs. No primeiro CD será apresentado o conteúdo do livro, divididos em capítulos. No segundo, serão apresentadas as videoaulas com as orientações sobre como proceder. Ao final do curso, além do certificado os alunos recebem três cartilhas. O objetivo é capacitar cerca de 5 mil pessoas que desempenham papel de lideranças religiosas, ou que atuem em movimentos afins, para ações de prevenção do uso de drogas e outros comportamentos de risco, bem como da abordagem de situações que requeiram encaminhamento às redes de serviços existentes na comunidade.
Técnicas de detecção, abordagem, intervenção breve, entrevista motivacional e formas de encaminhamento de pessoas com problemas decorrentes do uso de drogas e dependentes. Além disso, será produzida uma análise dos fatores facilitadores e dificuldades encontradas na implantação do projeto, assim como seu impacto nas comunidades nas quais os alunos do curso atuam. O curso é gratuito e tem duração de dois meses, carga horária de 60 horas e certificado de Extensão Universitária emitido pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Quando e como surgiu a ideia de capacitar líderes religiosos?
A partir da constatação de que muitas instituições brasileiras de atenção aos usuários de álcool e outras drogas estão vinculadas a alguma organização religiosa. Ou seja, elas já vêm desempenhando um papel importante nas questões referentes ao acolhimento, encaminhamento, orientação e atenção aos usuários de álcool e outras drogas há décadas no Brasil. O projeto é o resultado de um longo processo de articulação entre governo e estas instituições.
Qual a importância da atuação conjunta do governo e das igrejas?
No Brasil, diferentes segmentos sociais têm contribuído direta ou indiretamente para minimizar o impacto do uso de drogas. Dentre eles, destaca-se a atuação das instituições religiosas, que se constituem em espaços de acolhimento e suporte espiritual, afetivo e material para as diferentes demandas apresentadas pela comunidade, entre elas questões relacionadas ao consumo de drogas. As instituições religiosas, assim como outras organizações, são parte integrante de uma rede social de apoio e podem ter potencializado seu papel preventivo caso disponham de subsídios para ampliar o conhecimento sobre as drogas e sua ação no organismo humano.
Na sua opinião, as pessoas mais espiritualizadas têm menos chances de se envolverem com drogas? Por que?
Diversas pesquisas científicas têm identificado a prática religiosa como um fator de proteção contra o uso de drogas e vêm demonstrando que pessoas que frequentam alguma religião ou estão em busca de valores espirituais têm menos possibilidades de fazer uso indevido de álcool e outras drogas e maiores chances de recuperação. Dentre os achados científicos, encontra-se a relação entre a religiosidade e o enfrentamento do estresse e de situações difíceis na vida, que são fatores de risco para o uso de drogas.
Quais os principais fatores que levam ao vício?
Muitos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da dependência. Em geral podem ser de ordem ambiental, como a grande disponibilidade e facilidade de acesso a determinadas substâncias. Há fatores sociais também, como uma cultura local ou familiar que valorize o consumo excessivo e frequente de determinada droga, minimizando seus riscos. Outra categoria importante é a individual, que inclui aspectos psicológicos e emocionais, como certos tipos de personalidade ou forma de lidar com problemas e frustações. Finalmente existem os fatores genéticos que também podem facilitar que o uso de drogas se agrave e transforme em dependência.
Serviço:
Informações sobre o projeto no www.senad.gov.br.


