O ideal seria que os padrões de educação, de cultura e de conhecimentos no geral fossem mais elevados e que não existisse miséria social, mas se a realidade brasileira não é esta, há que investir para modificá-la. E nisto a empresa privada pode contribuir com algo mais, além do que já participa por via de impostos que paga. Mas se o Governo não é um bom gestor, os cidadãos de boa vontade acabam suprindo essa deficiência. Os exemplos de ações isoladas e de parcerias de empresas para a causa das carências sociais são muitos e muitos, e graças a isso a situação não é pior. Reportagem de domingo deste Jornal mostra os benefícios de uma parceria entre a Usina Vale do Ivaí (produtora de açúcar e álcool), no município de São Pedro do Ivaí, com a Pastoral da Criança. O resultado é a inclusão social de mais de 140 crianças pobres e muitas vivendo nas ruas, e a preparação de gestantes carentes, boa parte delas de baixa idade. Enquanto a Pastoral reúne essas pessoas, a usina disponibiliza os profissionais de saúde, serviço social e psicologia. Recentemente a empresa ampliou o atendimento ao instalar o Centro de Aprendizagem e Inclusão Social, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, destinado a beneficiar crianças e adolescentes com carências em face da pobreza. A assistente social da empresa, Valéria Cristina da Costa, demonstra que o projeto é simples, como ela diz, e o resultado altamente benéfico, porque dá um redirecionamento na vida dessas crianças e jovens. O depoimento de um menino de 14 anos define a relevância do projeto: ''Antes eu vivia na rua e não ligava muito para o que os outros pensavam; agora aprendi a respeitar mais as pessoas''. Esse atendimento, orientado por profissionais, muda para melhor o comportamento social desses meninos e meninas e inclusive a linguagem, porque eles vão aprendendo a se expressar mais corretamente. O presidente da usina, Pedro Zanetti, entende que é preciso capacitar as pessoas nessa idade para que não deixem a cidade quando adultos, e que a comunidade precisa se organizar para evitar o assistencialismo. Além do mais a empresa financia a construção de casas no município e apóia os centros municipais de educação infantil e o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Tudo o que se faz pela causa social, por meio do ensino, resulta em múltiplos benefícios, não só diretamente a essas pessoas carentes mas para os próprios idealizadores e executores desses projetos, porque a delinquência diminui e o nível de segurança aumenta, ao tempo em que baixa o custo social - que indiretamente a população paga - com os sistemas de repressão e detenção. Vale sempre repetir o jargão de que abrir uma escola é fechar uma cela.

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