A empresa que hoje não se preocupa com a inovação está praticamente sem chance de sobrevivência no mercado. A receita é conhecida: é preciso manter-se informado, acompanhar as novas tecnologias, oferecer produtos e serviços diferenciados e de qualidade. A busca pelo novo é essencial, uma vez que as exigências e a competitividade são cada vez maiores. A meta de todos, independentemente do segmento, é aumentar a produtividade e, acima de tudo, inovar.

Dado divulgado pela Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial (ABDI) mostra que as empresas inovadoras exportam 116% mais e conseguem um preço 30% superior em relação aos concorrentes. E atualmente, quando o assunto é inovação, quem ocupa lugar de destaque são as universidades. Elas atuam na formação de capital humano e viabilizam transferências tecnológicas entre a academia e organizações. No mês passado, em Londrina, foi assinado o protocolo de intenções para a criação do Pólo de Inovação e Transferência de Tecnologia (Tecnopolo). O objetivo é transformar o conhecimento das universidades em produtos inovadores para o mercado, criando um programa de intercâmbio científico e tecnológico.

Para o italiano Paolo Onesti, diretor do Democenter (Centro de Inovação e Transferência Tecnológica) e da Universidade de Modena, a pesquisa acadêmica contribue com o desenvolvimento do sistema econômico.

Nesta entrevista, ele avalia a relação entre as empresas e universidades no Brasil, compara com o panorama de seu país de origem e enfatiza: ''Atualmente não temos tempo a perder.''

Qual é o foco de atuação do Democenter?
Temos uma estrutura que foi concebida para ajudar as empresas a trocarem tecnologia em busca da inovação. Em particular é voltado às pequenas e médias empresas. Em nossa Província - Modena, na Itália - , há 400 mil empresas e temos menos de 1 milhão de habitantes. Temos uma empresa para cada oito ou nove pessoas. O Democenter está inserido nas universidades e em outros centros de tecnologia, o que permite oferecer serviços às empresas.

Qual a importância da pesquisa acadêmica para o desenvolvimento de um país?
A pesquisa acadêmica é fundamental, pois contribui com o desenvolvimento do sistema econômico. Hoje as pesquisas são voltadas para diferentes setores e aplicam tecnologias distintas. Isso é muito bom. A academia oferece um quadro geral com soluções possíveis que podem culminar em patentes e bons resultados econômicos. Os três fatores principais, que colaboram com o desenvolvimento de um país, são a pesquisa acadêmica, as empresas e o governo local. Os três devem mover-se para o mesmo objetivo: criar riquezas de produção real.

As universidades são a principal fonte de inovação?
No passado eram as grandes empresas, mas agora são as universidades. O interessante é que as instituições de ensino superior distribuem o conhecimento. Enquanto uma empresa faz uma pesquisa para seu próprio uso a universidade faz para todo o público. Isso é fundamental.

Como o senhor avalia o relacionamento e a troca de informações entre empresas e universidades no Brasil?
Tive um pouco de experiência e tive a impressão de que o relacionamento entre empresas e universidades está muito bem orientado. Creio que é possível organizar uma cooperação muito forte com as empresas e universidades para permitir que o Brasil se desenvolva melhor.

Os anos dedicados ao ensino superior são suficientes para formar profissionais voltados à inovação?
O programa educacional do Brasil é muito mais interessante do que o da Itália. Aqui a pessoa termina o ensino superior com aproximadamente 23 anos e na Itália, com 27. Essa diferença de tempo representa 10% da vida ativa da pessoa. Atualmente não temos tempo a perder. Um ensino mais compacto, seguido eventualmente por uma especialização, mestrado e doutorado, é melhor e capaz de desenvolver profissionais inovadores.

A realidade empresarial do Brasil e da Itália são muito diferentes?
O Brasil e a Itália são muito diferentes. Na minha região há muitas empresas pequenas interligadas em entidades maiores. Já no Brasil há empresas maiores. Mas estou notando uma interessante evolução no número de pequenas organizações que são encabeçadas por jovens que saem das universidades. Isso cria oportunidades novas e muito dinâmicas.

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