Parceiros do desenvolvimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de maio de 2003
Onaur Ruano 
Ao receber o convite do meu companheiro dr. Sabino Brasil Nunes de Campos, diretor-presidente da Emater, para uma agenda de eventos comemorativos aos 47 anos da Extensão Rural no Paraná durante o mês de maio, lembrei-me de artigo que havia publicado na imprensa em 1994, com o título que encabeça este texto, quando era eu secretário Municipal de Agricultura e Abastecimento em Londrina. Busquei nos meus arquivos, reli, e constatei que, hoje, como diretor-presidente do Iapar, não teria nada a mudar no que pensava e escrevi, há quase uma década, sobre o que penso da Emater.
Para o cidadão comum, a profissão ''extensionista'' pode não ter significado. Não seria difícil ouvir como resposta a uma enquete o extensionista ser comparado, quem sabe, ao seminarista, ao indigenista ou ainda a um missionário. Quem sabe esse ''senso comum'' do cidadão urbano não tenha uma certa razão de ser? Porque na profissão de extensionista há muito do cumprimento da missão do missionário e do seminarista: há também que se conquistar a confiança do agricultor, tal como os indigenistas.
E foi com esse espírito de dedicação que a agricultura do Paraná conheceu, há 47 anos, um novo parceiro em suas lutas diárias, com a instalação, em 20 de maio de 1956, dos primeiros escritórios no Estado. Os 20 primeiros técnicos contratados instalaram escritórios em Foz do Iguaçu, Campo Largo, Prudentópolis, Rebouças, São Mateus do Sul, Toledo, União da Vitória e Curitiba, como sede.
Atuando através de grupo de produtores, de senhoras e de jovens (como os clubes 4-S), a extensão rural paranaense nasceu, se desenvolveu e cresceu não apenas orientada para trabalhar questões exclusivamente tecnológicas, mas, sobretudo, na organização e na leitura das condições sociais e econômicas da família rural.
Agentes de transformação e desenvolvimento. Este tem sido o verdadeiro papel do extensionista paranaense. Como conceber programas voltados para a agricultura e o desenvolvimento municipais, regionais, estaduais ou nacional, sem a interferência e atuação direta da extensão rural? Definitivamente, seria impossível. Não apenas numérica, mas também metodológica e qualitativamente.
Nas últimas décadas, o Estado do Paraná contabilizou expressivo avanço tecnológico na agricultura e na pecuária por conta e obra do trabalho e dedicação de centenas de extensionistas rurais. Através dessa ação direta individual ou coletiva programas como Paraná Rural, Manejo Integrado de Solos e Águas, Desenvolvimento Florestal Integrado, Produção Animal, Apoio à Agroindústria e Transformação de Produtos, Apoio aos Assentamentos Rurais, Desenvolvimento da Fruticultura, Revitalização da Cafeicultura, Saneamento Básico no Meio Rural, Paraná 12 Meses, entre outros, passaram a ser parte da vida, das propriedades e do sucesso e bem-estar de milhares de agricultores e suas famílias.
Nessa jornada, como pernas de um mesmo corpo, Iapar e Emater sempre estiveram juntos como órgãos de governo da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O nosso trabalho conjunto Redes de Referência, entre muitos outros, é um belo exemplo dessa integração. Integração esta que dos agentes de governo deve também ampliar para com a iniciativa privada, sempre no benefício da sociedade.
Portanto, mais do que homenagear com a lembrança de uma data no calendário, queremos expressar aos extensionistas paranaenses nosso reconhecimento e respeito. E nosso desejo de que tanto a missão como o trabalho árduo desses profissionais sejam mais valorizados diariamente, como o pão nosso de cada dia. Parabéns, Emater!
ONAUR RUANO é diretor-presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)


