Paraná voltou a ter a doença a partir de 91
De acordo um dos médicos consultados pela Folha, a dengue é uma das doenças chamadas de reemergentes, que passaram por um longo período de controle e voltaram a acometer a população. Muitas dessas doenças como a coléra, febre amarela (no tipo urbano também é transmitida pelo Aedes aegypti), leishimaniose, tuberculose e hanseníase, entre outras que já foram responsáveis por várias epidemias no Brasil no início e meados do século passado, estiveram totalmente sob controle.
A dengue voltou a aparecer no Paraná a partir de 1991. Os primeiros casos provavelmente foram importados, repassados por pessoas que vieram com a doença do Rio de Janeiro, que já apresentava um quadro de endemia. A primeira grande infestação aconteceu em 1996 nas regiões de Londrina e Maringá, quando foram registrados 1.861 casos. Naquele ano, Londrina teve 405 casos confirmados. No ano seguinte, os casos aumentaram para 3.195 já que não houve um controle eficaz do vetor transmissor. Só em 1997, quando a Secretaria de Estado da Saúde começou a atuar diretamente nas residências o índice baixou novamente.
O médico informou que a fêmea do Aedes aegypti faz uma postura de 30 a 40 ovos a cada três dias, com um ciclo de vida de 45 dias, resultando entre 450 e 600 ovos por fêmea. ''Se um terço desse ovos vingarem, já teremos um problemão em mãos'', apontou.
De acordo com ele, há quatro tipos de vírus que provocam a doença, sendo que o tipo 3 é o que apareceu com mais frequencia este ano. ''O problema é que uma mesma pessoa pode ter a doença diversas vezes, agravando-se o caso a cada reincidência. Se a pessoa teve a dengue clássica uma vez e torna a ser infectada, ela pode desenvolver uma hemorragia grave, que é a chamada dengue hemorrágica'', explicou.
Os sintomas mais comuns da dengue são febre alta de início súbito, dor de cabeça, prostração, dores musculares e nas juntas, erupções cutâneas e vômitos. Em alguns casos, também há sangramentos. ''É por isso que o ácido acetilsalicílico (AAS) não é indicado para o tratamento, já que pode agravar o sangramento'', afirmou.





