Paraná: um quarto da produção de grãos
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
João Paulo Koslovski 
Com apenas 2,3% da exten são territorial do Brasil, o Paraná está produzindo, nesta safra, um quarto da pro dução brasileira de grãos. Esse percentual vem se repetindo, ou pouco mais ou um pouco menos, na década, apesar das novas fronteiras. Isso é resultado do trabalho das entidades públicas e privadas de pesquisa e da determinação de nossos agricultores, demonstrando que investir em tecnologia faz a diferença. No Paraná, a produtividade cresce ano a ano, permitindo colher safras cada vez maiores.
No ano passado, mesmo com a frustração de safra de inverno e do milho safrinha, provocada pelas condições climáticas adversas, o Paraná produziu 50% do total brasileiro. Neste ano, os números sinalizam para uma produção de 24 milhões de toneladas, o que corresponde a 24,7% das 97,2 milhões toneladas do País. Mais uma vez fica evidenciado que é preciso investir na agricultura e na tecnologia, pois o setor tem capacidade de gerar riquezas a curtíssimo prazo.
Nenhum governo pode relegar o apoio à agropecuária, sob pena de pagar caro pelas consequências negativas. A agricultura do Paraná é o dínamo de toda a economia que circula pelo interior. Os setores secundário e terciário vão bem e crescem quando a agricultura vai bem.
Estudos do BNDES demonstram que a cada R$ 1 milhão aplicados na agroindústria gera 220 empregos, numa demonstração inequívoca da importância do setor primário no contexto socioeconômico. O trabalho sério e responsável que vem sendo realizado no Paraná conta com o forte apoio das sociedades cooperativas, que detêm mais de 50% do PIB do setor.
Diferentemente do que muitos pensam, as cooperativas agropecuárias detêm em seus quadros mais de 80% dos pequenos agricultores e, destes, 15% são meeiros, arrendatários que sabem e entendem o papel das cooperativas. Sem as cooperativas, as dificuldades dos agricultores seriam maiores. Basta analisar as condições de defesa socioeconômica nos locais onde elas deixaram de atuar.
O equilíbrio propiciado pelas cooperativas é claro e nas regiões onde elas atuam são referência em termos de preços dos produtos e insumos e, muitas vezes, a concorrência espera a fixação de preço por parte da cooperativa para estabelecer suas regras.
O crescimento da produção agropecuária paranaense está diretamente ligada a atuação das cooperativas. São mais de 650 profissionais de nível superior e 350 de nível médio, ligados à assistência técnica. E mais de 45% da armazenagem de grãos está nas cooperativas, que dão suporte para venda da produção dos cooperados através de uma ampla e profissional estrutura.
Na pesquisa, as cooperativas mantêm um moderno centro de pesquisa através da Cooperativa Central Agropecuária de Desenvolvimento Tecnológico e Econômico Ltda. (Coodetec), que tem gerado novos cultivares de soja, trigo, milho e algodão. A pesquisa se soma ao trabalho das entidades oficiais como Iapar e Embrapa e mantém cooperação com organismos internacionais.
Várias cooperativas também mantêm apoio na área de pesquisa e experimentação, destacando-se entre elas a Fundação ABC. No Porto de Paranaguá, as cooperativas Cotriguaçu e Coamo dão suporte à exportação da produção primária e agroindustrial, levando as cooperativas do Paraná a deterem cerca de 50% das exportações no contexto do cooperativismo brasileiro.
Neste esforço de ampliar a produção e a produtividade, o Paraná conta com o trabalho da extensão rural realizado pela Emater, que se soma ao esforço realizado pelas cooperativas e outras empresas para transferir conhecimentos, permitindo que os agricultores tenham acesso às novas tecnologias, sejam elas de conservação de solos, meio ambiente e produção de alimentos.
O Paraná é um exemplo vivo de que somando-se forças (governo e iniciativa privada) é possível promover uma verdadeira revolução no setor primário. E no sentido de melhorar o nível de renda do setor, estamos discutindo o Programa Paraná Agroindustrial, que conta com a participação do governo e entidades privadas para a viabilização de sete cadeias do agronegócio (suíno, aves, bovinos, leite, mandioca, soja e milho).
A implementação integral desse programa certamente mudará o perfil do campo, agregando valor à produção primária, na transformação de milho e soja em proteína animal com ganhos na ampliação do nível de renda e na geração de milhares de novos empregos. Não podemos perder de foco essa vocação natural que tem o Estado quanto à produção agropecuária.
A responsabilidade é de todos, mas precisamos estar atentos ao nosso objetivo, que é continuar contribuindo para que se melhore as condições de vida dos agricultores. E isso só será possível se tivermos como meta a transformação da produção primária em produtos acabados, que possam chegar à mesa com a qualidade e sanidade exigida pela sociedade.
Se hoje conquistamos um quarto da produção brasileira de grãos, desejamos, no futuro próximo, responder por parcela significativa da produção primária industrializada. Com determinação e trabalho efetivo lá chegaremos.
- JOÃO PAULO KOSLOVSKI é agrônomo, presidente da Ocepar (Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná)


