Os problemas de saúde de Ketlin, Milena, Andrei, Marcos, Tainara e Adriano poderiam ser ainda piores, caso vivessem em alguma cidade do Nordeste do Brasil, onde a ausência de infra-estrutura é uma das principais causas da alta taxa de mortalidade infantil. A média é de 68,4 mortes de crianças com menos de um ano para cada mil nascidas vivas. Um absurdo, se comparado ao índice do Sul do País. Nesta região, as mortes caem para quase um terço (24,9 mortes/mil), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Paraná como um todo, com um índice de 42 por mil nascidos vivos, registra mais mortes do que Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas Curitiba e Colombo, em particular mostram números mais favoráveis, de 13 por mil e 19 por mil, respectivamente. As prefeituras dos dois municípios têm ações nas quatro áreas visitadas pela reportagem, mesmo no caso das invasões, onde a atuação municipal é limitada, já que as áreas estão irregulares.
Em estrutura de saneamento básico, no entanto, o Paraná ainda é bastante carente, com índices piores do que a média nacional. Pesquisa feita pelo IBGE em 2000 em todos os 5.507 municípios existentes no País para verificar a oferta e qualidade dos serviços de saneamento revelou que 79% dos distritos do Paraná não têm rede coletora de esgoto, acima da média nacional de 58%. Curitiba, segundo a pesquisa, está praticamente 100% abastecida com rede de água e coleta de esgoto.
Na Grande Curitiba 17,4% dos distritos não têm rede de água e 70% não possuem coleta de esgoto. Na Grande Londrina 16,7% dos distritos não têm rede de abastecimento de água e 72% não dispõem de rede coletora de esgoto. Isto significa que mais de dois terços da população destas regiões jogam seu esgoto em fossas, valas abertas ou direto nos rios.

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