Paraná tem 392 mil desempregados
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sábado, 28 de setembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os dados mais recentes sobre desemprego no Paraná dão conta de que existem mais de 392 mil pessoas desocupadas no Estado. O dado é da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Penade), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), referente ao ano de 2001. Mas a situação pode ser ainda maior. Só na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) seriam 138 mil pessoas.
O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) acredita, no entanto, que o número é pelo menos 15% maior. Isso porque a metodologia adotada pelo IBGE considera desempregada a pessoa que procurou emprego por uma semana. Já o Dieese ampliou esse prazo para um mês. Além disso, o IBGE não considera a busca por emprego de menores de 15 anos. ''Mas essa é uma realidade que não pode ser ignorada'', justifica o técnico do Dieese, Sandro Silva, ao defender a metodologia adotada pela sua entidade. A terceira diferença é que para o IBGE, aquela pessoa que trabalhou somente por algumas horas na semana já é considerada ocupada. Para o Dieese essa condição configura o famoso ''bico'', e não um emprego.
Na Região Metropolitana de Curitiba, a estimativa é de que existam cerca de 138 mil pessoas sem trabalho. Ou seja, 9,4% da População Economicamente Ativa (PEA) da região, que é de 1,464 milhão de pessoas, não conseguem uma ocupação regular.
Os primeiros oito meses desse ano não representaram uma grande mudança nesse cenário. Ao contrário, justamente os setores que empregam mão de obra menos qualificada, como a construção civil e a indústria da transformação, foram os que apresentaram as maiores taxas de desemprego. Os dados são do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que faz pesquisa mensal de emprego e desemprego na RMC.
De janeiro a agosto desse ano, de cada 100 pessoas que procuraram uma vaga no mercado de trabalho dentro dessa área, nessa região, seis não conseguiram. A construção civil é seguida de perto pelo setor da indústria da transformação, que registra nesse mesmo período uma taxa de desemprego de 5,9%. Ou seja, a cada 100 pessoas que procuraram emprego nas indústrias de transformação, 5,9 não conseguiram.
O setor de comércio também tem enfrentado dificuldades para criar vagas. No acumulado do ano, a taxa média de desemprego é de 5,4%. O setor de serviços é o que vem mantendo o melhor desempenho. De cada 100 pessoas que procuram ocupação na área, apenas 3,8 não conseguem uma vaga.
O Ipardes tem ainda uma última categoria de atividade, que inclui agricultura, silvicultura e extração mineral. Pelas próprias características da RMC, este é o setor que apresenta a menor taxa de desemprego: 1,8% no acumulado do ano.


