Na semana passada, o governo federal anunciou a intenção de lançar a 2 fase do PAC da Habitação, com a meta de construir 1 milhão de casas populares até o final de 2010. A idéia foi transmitida pelos ministros da Casa Civil, Fazenda e Planejamento, aos governadores do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Caberá a cada estado definir o grau de adesão ao programa. No Paraná, o governo garantiu a contrapartida para 100 mil novas residências. As informações foram passadas à FOLHA pelo presidente da Cohapar, Rafael Greca - que participou dos entendimentos em Brasília.

Como o Paraná participa do PAC da Habitação?
O governo já participa com a construção de perto de 3,5 mil casas na região metropolitana de Curitiba, e com 500 casas em Cambé. As obras estão indo relativamente bem, embora tenham sofrido atraso, no caso de Guarituba - a maior favela urbana do Paraná -, de dez meses, provocado pelo impasse judicial sobre a posse da terra. Em todas as áreas de favela a imissão de posse é o problema mais complicado, foi o que mostrei em Brasília para a ministra Dilma Roussef (Casa Civil). Essa é a grande desordem cartorial e fundiária do Brasil. Também há o problema de licitações vazias porque os preços praticados pelo Governo do Paraná são os mais modestos do país.

E o novos planos?
Na reunião com os quatro governadores (José Serra, de São Paulo; Aécio Neves, de Minas Gerais; Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro; e Roberto Requião, do Paraná), a ministra Dilma falou de 500 mil novas casas este ano e 500 mil novas casas no ano que vem. A proposta ainda está sendo formatada tecnicamente, mas o governador (Requião) saiu da reunião me dizendo que se eles quiserem nos dar o dinheiro, nós garantiríamos a contrapartida para até 100 mil novas casas, desde que isso não se faça para favorecer os monopólios das grandes empreiteiras. Queremos que se faça pelos métodos praticados pela Cohapar, que é de fortalecimento do mercado local, de compra do material de construção na cidade onde o conjunto está sendo construído, de maneira a construir a um preço máximo, para uma casa de 40 m2, de R$ 22 mil por casa.

Uma casa de 40 m2 não é muito pequena?
Podia ser até menos. Cheguei à conclusão, na longa experiência de urbanista, que se a família tiver um domicílio, mesmo que seja só um lote urbanizado, ela já começa a fundar o seu projeto de vida. Chegamos a fazer, em alguns momentos em Curitiba, apenas o embrião da parede hidráulica, com a cozinha e o banheiro, e financiar o material de construção para as pessoas terminarem sua própria casa e também deu certo. O importante é existir uma política habitacional, o resto é detalhe.

Como seriam distribuídas as 100 mil casas que o Paraná manifestou interesse em construir? E os trâmites operacionais, já começaram?
Minha equipe trabalha para entregar, nessa semana, um anteprojeto para a ministra Dilma, que deve visitar o Paraná no dia 13 próximo. Sobre a distribuição, a idéia é dar a essas casas a densidade populacional do Paraná: 40% região metropolitana de Curitiba e depois proporcionalmente nas outras regiões. E pensamos em dar um pouco de preferência para o centro expandido, onde o povo é mais pobre e onde o Paraná precisa de um ''empurrãozinho'' maior.

Está faltado mão de obra para as construções de casas populares?
Sim, está. Veja, o PAC tem licitação com as empreiteiras, mas é evidente que precisa haver uma capacitação do pessoal que está no Bolsa Família. O presidente do Sinduscom me contou que eles estão tentando sensibilizar os 18 mil inscritos no Bolsa Família para fazerem cursos de capacitação - e parece que na grande Curitiba só apareceram 45 para trabalhar. Fazemos o trabalho com as associações de moradores dos bairros onde as casas vão começar a ser construídas. Um pedreiro da Cohapar ganha, se for bom, R$ 1.700.

De que forma o processo eleitoral pode influenciar o PAC da Habitação?
Acho que a Dilma foi muito correta quando deflagrou o programa convidando os seus concorrentes. Ela fez isso na presença do Serra, do Aécio, do Requião e do Sérgio Cabral. Aquela mesa poderia reunir pelo menos dois candidatos a presidente e dois candidatos a vice. Tinha também o Paulo Bernardo e o ministro das Cidades, Márcio Fortes, que é do PP. Numa república, a eleição não pode ser um empecilho para que as coisas aconteçam.

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