A quase certa implantação de um fundo único para trabalhadores dos setores público e privado no governo de Lula traz uma dúvida: o que será feito dos regimes próprios, criados pelos estados e municípios nos últimos anos. No Paraná, muitas cidades criaram institutos para gerir as contribuições previdenciárias dos servidores municipais, como é o caso do Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (CAAPSML) e do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC).
Os servidores estaduais também têm seu regime próprio através do Paraná Previdência, instituto criado em 1998 e que foi o primeiro fundo de capitalização estadual do País. Sem deixar claro quais as medidas a serem tomadas, o programa de governo prevê uma tentativa de ''uniformizar e racionalizar os procedimentos administrativos que hoje estão expressos em uma miríade de centros difusos nos entes federados''.
O diretor-presidente do Paraná Previdência, Ricardo Smijtink, defende que os regimes próprios não sejam extintos: ''No caso do Paraná, por exemplo, o sistema está equilibrado e não há razão para mudanças''.
A grande dificuldade para o governo implementar a reforma da Previdência, diz ele, é capitalizar um fundo. ''Existem cálculos que apontam que, para resolver definitivamente o problema, seria necessário verbas na casa dos trilhões de reais, equivalentes a quase 3 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Agora, é evidente que o problema tem que ser atacado agora antes que cresça mais, caso contrário podemos ter um colapso em um prazo de dez a quinze anos''.
A situação futura do Paraná Previdência, diz Smijtink, já foi discutida com representantes da equipe de transição do governo Roberto Requião. ''Já apresentamos a situação, e a equipe de transição ficou surpresa com a evolução na área. Nós passamos de um déficit para uma situação financeira que nos qualifica como a 4º maior empresa do Estado''.

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