Paraná político sem conquistas - Ayrton Baptista
Paraná político sem conquistas
Ayrton BaptistaDa autofagia já se falou muito. Da timidez, também. Que mais se pode dizer desta falta de aptidão paranaense para lutar em conjunto por uma participação mais efetiva no comando da União? Já tivemos, é verdade, homens e posições importantes no ministério. Munhoz da Rocha e Aramis Athayde nos anos 50. Ney Braga em duas oportunidades e em ambas com voz ativa no Palácio do Planalto. Ivo Arzua, Affonso Camargo, Sthephanes, o senador Andrade Vieira, agora Rafael Greca. Nomes respeitáveis, atuações marcantes ou aceitáveis diante das injunções de cada época.
Mas é necessário aumentar e consolidar a presença de um Estado politicamente importante, como importante se apresenta sua economia, seu trabalho, sua gente e toda esta mescla de brasileiros que se afirmam no Paraná e que levou o ex-governador Bento Munhoz da Rocha Neto a cunhar a frase-símbolo - o Paraná é a síntese do Brasil.
O presidente Fernando Henrique ensaiou uma reforma ministerial, os ministros foram chamados a colocar seus cargos à disposição. Mas qual o resumo da ópera? Na verdade, nada de reforma, talvez nem uma recauchutagem, vai lá, um troca-troca, e pouquíssimos nomes novos, não tão novos assim.
Euclides Scalco não quer, José Richa, idem. Rafael Greca quer, Osmar Dias queria. Outros, se chamados, iriam correndo. Uns, cônscios da contribuição que poderiam dar, outros com o propósito de projetar-se no plano estadual e outros ainda reunindo querências honestas e merecedoras de todo o apoiamento.
Apoiamento, palavra-chave. Afora uma ou outra manifestação, quando se fala em nome do Estado para funções em Brasília, o que se nota é um silêncio ensurdecedor. Nem um pio, senão a figura cogitada pode emplacar. E se emplacar, pode incomodar.
Ora, como o presidente Fernando Henrique adora a política posta em prática pelo ex-presidente Getúlio Vargas, a de ir empurrando com a barriga, pagando ele, FHC, para não usar a caneta e defenestrar auxiliares que não cumprem o dever de casa como se espera, o que se viu foi uma operação cosmética em termos de ministério, diante do que se esperava.
Com isso, ficamos apenas com o ministro Greca, brilhando graças à sua capacidade de comunicação mas possivelmente sem condições de fazer do Esporte e Turismo de uma hora para a outra a menina dos olhos do presidente e espalhar - além do seu otimismo, canchas de esporte e roteiros turísticos que mostrem sobremodo no exterior a potencialidade subestimada do País para receber turista de todo mundo.
Já é tempo de a classe política entender que, unindo-se em ocasiões especiais como a de formar o lobby em favor de um nome paranaense, o crescimento da expressão política do Estado reverterá em benefícios generalizados. Tanto quanto às verbas que poderão ser buscadas no governo central, como na representatividade que todos passarão a ter, com reflexos naquilo que mais lhes interessa - o eleitor mais próximo e outros da própria periferia até atingir as diferentes regiões, formando uma nova força neste Paraná carente de lideranças, repetente há anos com nomes que conquistaram o poder, ou anteontem, ou ontem e hoje.
- AYRTON BAPTISTA é jornalista em Curitiba





