Com base na matéria "Grupo defende fim da vacinação contra a aftosa" (Economia&Negócios, 17/1), parabenizamos a Frimesa, na pessoa de seu diretor executivo Elias José Zydek, pelas ações tomadas em ampliar os investimentos em uma nova unidade industrial de abate e processamento de suínos no Paraná.

Conforme noticiado naquela matéria, "a Frimesa encabeça o movimento para tornar o Paraná como zona livre de aftosa sem vacinação, o que abriria novos mercados internacionais para a carne suína e bovina do estado". A matéria traz também que a Sociedade Rural do Paraná (SRP) "insiste" que os benefícios são pequenos pelo tamanho do risco.

A Sociedade Rural do Paraná defende o setor agropecuário como um todo e assim sendo, trabalha e trabalhará em prol de seus produtores e do Paraná, não acreditando que a simples decretação do estado "livre de aftosa sem vacinação" trará amplos benefícios aos produtores e às indústrias, haja vista que acordos comerciais já vêm sendo fechados no mercado internacional independentemente deste status.

Entendemos sim, que este status pode trazer riscos sanitários ao Paraná, de acordo com o relatório final dos trabalhos elaborados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), entregue em fevereiro de 2016, liderado pelo dr. Sérgio Zen, que é professor da Universidade de São Paulo e da Escola Superior de Agronomia "Luiz de Queiroz" (Esalq) de Piracicaba (SP), juntamente com o dr. Amauri A. Alfieri. O Paraná depende da vinda de animais para engorda de outros Estados. O rebanho em pouco tempo tornar-se-á mais suscetível à forma clínica da infecção.

A vacinação não é a única ferramenta de controle da doença. Há preocupação com a dificuldade de vigilância das nossas fronteiras com os países Argentina e Uruguai e com os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul (somam 2.360 km), além dos portos, aeroportos e a necessária racionalização no transporte de animais vivos e constante monitoramento de animais silvestres.

Argumentamos que o governo estadual poderá pleitear ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Organização dos Estados Americanos (OEA), de forma independente, a decisão de alteração do status de "Livre de aftosa com vacinação" para o de "Livre de aftosa sem vacinação", mas ao mesmo tempo em que outros estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul também o façam. Existe uma iniciativa do governo federal de tornar o status do Brasil de "Livre de aftosa sem vacinação" em breve.

Informamos ainda que junto com a Sociedade Rural do Paraná estavam nesta "insistência", 36 entidades de classe, entre sociedades rurais, associações e núcleos de raças, selecionadores, criadores, invernistas e entidades representativas da indústria de carnes.

Entendemos que estamos vivendo na era do mundo globalizado. Restringir mercado e relacionamento comercial pode não ser uma decisão acertada, mas somos a favor do crescimento do setor como um todo.

AFRANIO EDUARDO ROSSI BRANDÃO é diretor-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP) e RICARDO HOEFEL REZENDE é diretor de Atividade Pecuária da SRP

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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