Paraná, grande destruidor da mata atlântica
Pergunta-se onde estiveram, de 2000 a 2005, a sensatez dos agricultores ou donos de matas e o poder de contenção das leis, da Secretaria do Meio Ambiente e do Instituto Ambiental do Paraná. Porque grande extensão da mata atlântica paranaense foi destruida nesse período. A região atingida, de propriedades particulares, foi o extremo-sul, conforme demonstram fotos de satélites e comprovações locais da Fundação Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Foram 28 mil hectares devastados.
Contra-argumentos não faltam, como de que os pinheiros não eram considerados componentes da mata atlântica, mas a dolorosa realidade é que essa extensa porção foi posta abaixo. A região sul paranaense dispõe de muita mata nativa, mas a diminuição da área tem sido constante, porque não existe mentalidade
preservacionista entre a grande maioria dos agricultores, assentados rurais e extrativistas de madeira, e porque o poder público parece não dispor de meios legais e de estrutura para impedir isso. Os números atestam que o Paraná só tem 10% da mata atlântica do passado e perde para Santa Catarina em preservacionismo, embora também no vizinho Estado o desmate é contínuo. Acontece o paradoxo de propriedades particulares serem desmatadas pelo temor de que o Governo as desaproprie e as converta em áreas de preservação ambiental. Do dia para a noite partes das florestas vão tombando, e as instituições criadas para protege-las vão assistindo compassivas a esse triste espetáculo. Antigamente, quando metade do Paraná era uma imensa mata, justificou-se a derrubada porque havia reserva em abundância e era necessário promover o povoamento, mas hoje essa prática não faz sentido. Escasseiam os projetos para a exploração da terra aberta já existente e ainda não convenientemente aproveitada, no Brasil, por isso os proprietários rurais derrubam partes de suas matas para ampliar as áreas de cultivo.
Se a lei só funciona para as reservas públicas, algo precisa ser mudado, porque mesmo riquezas ambientais privadas deveriam ser monitoradas. O mal não é apenas paranaense mas brasileiro, porque os remanescentes da mata atlântica vão diminuindo de tamanho. Observando por uma macrovisão, tem-se a floresta amazônica como amostragem da insensatez humana, a tal ponto que essa reserva de há muito está na mira da cobiça internacional. Se o Governo não mantém a sustentação da Amazônia e não a policia tendo um arsenal militar de 320 mil homens os estrangeiros acabarão apropriando-se dela, e o que farão não se sabe. Neste país já tão açoitado por negligências governamentais, só faltava acontecer mais esta!





