Em 1979, a Organização Mundial da Saúde informou que 10 países do sudeste da Ásia e do Pacífico Ocidental eram responsáveis por 85% dos casos de poliomielite do mundo. O Rotary, então, iniciou o seu primeiro projeto de imunização, vacinando seis milhões de crianças nas Filipinas contra a doença poliomielite, também chamada de pólio ou, se preferirem, de paralisia infantil. Na mesma época, o Rotary também vacinou outras três milhões de crianças contra o sarampo na Índia.
A partir desses projetos, o Rotary deu início ao maior trabalho de saúde pública do mundo. O sucesso foi tão contundente, que o Rotary pretende comemorar no ano 2005, data do seu centenário, a erradicação da poliomielite da face da terra. São por fatos iguais a estes que o Rotary é considerado a maior e a mais respeitada organização, não-governamental, existente no planeta Terra.
Em 1985, o Rotary International recebeu o convite da Organização Mundial da Saúde para participar de seu mais arrojado programa, denominado de ‘‘Saúde Para Todos Até o Ano 2000’’. Este programa visava exterminar até o ano 2000, através de vacinações, todas as doenças de infância. O Rotary aceitou o desafio e passou, juntamente com a Organização Mundial da Saúde, com o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e o Centro Norte-Americano de Controle e Prevenção de Doenças, a participar da força-tarefa para erradicar a poliomielite do mundo.
O Rotary não só aceitou emprestar sua experiência como também deu o exemplo maior, chamando para si a responsabilidade mais difícil, que seria financiar US$ 120 milhões necessários para a compra de todas as vacinas que seriam usadas no mundo todo. Logo após o início da campanha, o valor estimado já passava dos US$ 160 milhões de dólares. Até a presente data, o Rotary doou mais de US$ 300 milhões de dólares e, até 2005, terá investido aproximadamente meio bilhão de dólares. Só no Brasil o investimento foi mais de US$ 6 milhões.
Esta campanha de vacinação em massa passou a chamar-se de Programa Pólio Plus, pois além da vacinação contra a pólio são dadas as vacinas contra o sarampo, a difteria, o tétano, a coqueluche e a tuberculose. Faz pouco mais de 10 anos que não temos um único caso de poliomielite nas Américas e, em nível mundial, houve redução acima de 95% dos casos.
Nos anos 80, eu iniciava minhas palestras sobre a Pólio Plus dizendo: ‘‘Hoje, 750 crianças serão deformadas pela paralisia infantil e outras 75 morrerão. O mesmo acontecerá amanhã e depois de amanhã. Até o final deste ano, 270 mil crianças estarão aleijadas e outras 27 mil mortas, vítimas apenas da paralisia infantil.’’ E continuava: ‘‘Companheiros, oito crianças morrem a cada minuto, de cada hora, de cada dia, de doenças que poderiam ser evitadas. Estes dados dão a dimensão do grande desafio que o Rotary International abraçou e os dados abaixo dão a dimensão das realizações e suas dificuldades: 2 bilhões de crianças foram imunizadas contra a poliomielite nestes últimos cinco anos. Na Índia, mais de 100 mil sócios dos Rotary Clubs e suas famílias juntaram forças com o governo hindu, na imunização de mais de 127 milhões de crianças, em um único dia, caracterizando o evento como o maior da área da saúde, jamais visto no mundo. Na Bulgária e Romênia, rotarianos convenceram a comunidade cigana a participar dos Dias Nacionais de Imunização, apesar da desconfiança desse grupo com relação a programas governamentais.’’
Eis aí alguns motivos que me dão um orgulho danado em ser rotariano.
- SEVERO DE RUDIN CANZIANI FILHO foi governador do Distrito 4710 do Rotary, em 1989 e 1990

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