Foz do Iguaçu - O temor de uma onda de saques levou o governo paraguaio de Luíz Macchi a mobilizar um grande contigente policial para vigiar o Departamento (Estado) de Alto Paraná, na fronteira com o Brasil. Policiais fortemente armados estão preparados para reprimir manifestações violentas. Grupos de sindicalistas e agricultores sem-terra (campesinos) paraguaios ameaçam fazer panelaços nas ruas, seguindo o exemplo dos vizinhos argentinos para protestar contra o governo paraguaio.
A Polícia Nacional recebeu ordens para controlar as manifestações mais violentas usando a força. Cerca de 200 homens foram deslocados de outras partes do país vizinho para reforçar a segurança de Ciudad del Este, capital do Departamento de Alto Paraná. Um efetivo de mais de 500 homens está controlando as ruas.
A medida de força foi determinada pelo presidente Luiz Macchi depois que o Serviço de Inteligência do governo rastreou informações de que sindicalistas e grupos de sem-terra estariam convocando a população para fazer panelaços na ruas e saques no comércio.
Segundo a imprensa paraguaia, o Exército e a Marinha também estão de sobreaviso e podem reforçar as intervenções policiais, se o governo considerar a medida necessária. Numa reunião realizada na última sexta-feira, em Assunção, o bispo da Igreja Católica de Alto Paraná, Ignácio Gogorza, se mostrou preocupado com a instabilidade política e econômica do país. O bispo teria alertado o governo do risco iminente de uma explosão social no estado fronteiriço. O problema foi exposto ao governador de Alto Paraná, Jutvino Urunaga e também ao presidente da República.
O aumento do desemprego, que beira aos 20% em todo o país, é o maior desafio do governo Luíz Macchi. Desde o início do mês, a Polícia Nacional vem acompanhado as reuniões dos sindicalistas que estariam organizando os protestos contra o governo.

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