O montador Nelson Henrique Lopes da Silva sentiu em cheio o efeito da crise em sua vida. Um dos 250 demitidos de uma grande empresa de tecnologia de Londrina no final do ano passado, ele se viu desprezado e perdido. ''Quando me falaram da demissão fiquei muito preocupado. Tenho esposa e três filhos para criar, preciso trabalhar'', diz.
Para voltar ao mercado, ele recorre a amigos, agências de emprego e currículos distribuídos de porta em porta. ''Tenho esperança de que vou encontrar logo. Estou pensando em fazer um curso de soldador porque me disseram que há bastante vaga. Como estava sendo treinado pela ex-empresa para essa função, já tenho um pouco de conhecimento. O que não pode é desanimar'', afirma.
Já a demissão para Nelson Eduardo Souza não foi uma surpresa. Funcionário do departamento de finanças de uma empresa de seguros, ele sabia que as coisas não iam bem. ''O dinheiro estava curto e eles contrataram outra pessoa, com formação acadêmica e que aceitou um salário menor que o meu. Imaginei que seria demitido'', conta.
Há dois meses procurando emprego em sua área, ele diz acreditar que, além da situação do mercado, luta contra outro problema. ''Tenho 52 anos e fica mais difícil para mim. Se não conseguir nada no meu campo até o fim do mês, vou tentar vendas ou telemarketing, que sei que está precisando de gente. Vou fazer um curso para me recolocar em outra função.''
Para Taísa Gomes Gotardo a coisa está ainda mais complicada. Com experiência de apenas um mês de trabalho como vendedora, ela luta para conseguir a segunda chance. ''Queria fazer um curso para facilitar a procura, mas preciso de dinheiro para pagar. Estou aceitando qualquer coisa'', afirma. (H.F.)

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