Para se tornar um país de leitores
Aqueles que pensavam que o desenvolvimento da internet e a chegada dos tablets derrubariam o mercado de livros e publicações impressas no Brasil terão que rever suas previsões. Pesquisa do Ibope Inteligência divulgada recentemente mostra que o brasileiro deverá gastar, até o final deste ano, R$7,8 bilhões com esse segmento. O Sudeste lidera a compra desses produtos, com 57,9% dos negócios, seguido do Sul, com 15,28% da fatia.
Os três Estados do Sul vão gastar este ano R$ 1,10 bilhão em publicações impressas. Parece muito, mas não é. Ao analisar que o investimento per capita do brasileiro em livros e outras publicações é modesto, em média R$ 44,08, percebe-se que o Paraná está abaixo da média nacional. Com o nosso gasto em torno de R$ 40,22, estamos abaixo do Sudeste (R$ 55,08), Sul (R$ 46,70) e Centro-oeste (R$ 44,33).
O gasto ainda pequeno com publicações impressas lembra a velha negligência com a educação e cultura, características que o Brasil tem dificuldade de vencer. Nem todo mundo gosta de ler, mas a leitura é um dos hábitos mais saudáveis que o homem deve adquirir, assim como a prática de exercícios físicos e a alimentação saudável. Ler é um hábito, uma herança que os pais devem deixar para os filhos. É um instrumento de transmissão da cultura, de adquirir conhecimentos e se manter informado das atualidades. A leitura amplia o vocabulário, a capacidade de argumentação e o senso crítico.
A pouca afinidade dos brasileiros com os livros virou tema de um artigo polêmico na revista britânica ''The Economist'', há anos atrás. Chamado ''Um país de não-leitores'', o artigo dizia que o baixo índice de leitura no Brasil era motivo de vergonha nacional, juntamente com o crime e as taxas de juros.
A pesquisa que norteou o artigo da ''The Economist'' mostrou que dois fatores contribuiam para o distanciamento com a leitura, o custo dos livros e as condições precárias das bibliotecas. Em parte, é verdade, pois um livro novo custa entre R$ 30,00 e R$ 40,00, preço caro em comparação ao salário mínimo, de R$ 545,00.
Há alternativas para driblar o preço das publicações e as bibliotecas públicas são a melhor alternativa para isso. Mesmo que seja preciso paciência para enfrentar as listas de espera. O maior problema é vencer a falta de interesse do brasileiro pela leitura.





