A forma econômica e de política administrativa absorvida pelo sistema de governo neoliberal está condicionada à cultura patriarcal em que vivemos. Justamente por isso, a população, em sua maioria, entende que assistência social é o que está sendo colocado, pois a educação e a cultura, da forma como estão sendo passadas, constituem padrão mais astuto de governo.
Está provado por sociólogos e educadores que a forma como estão sendo conduzidos esses três sustentáculos não é correta. O que mais intriga é justamente a imaturidade dos partidos de oposição que ao assumir o poder, tanto no Legislativo como no Executivo, dão sequência ao mesmo processo que tanto combateram. O caso ilustrativo é o governo de Maringá.
Quando os candidatos falam tanto em combater ''isso'', ''aquilo'' e ''aquilo outro'', ao tomar posse, essa cartilha é também transferida para a próxima eleição. A oposição de ontem está fazendo a mesma coisa que a situação do passado sempre fez. Está deixando de lado suas propostas e promessas, o que é lamentável. A progressiva vitalização dos questionamentos da população maringaense, que põe em discussão a ineficiência e a ineficácia da atual administração, é algo que merece uma atenção especial por parte do Executivo.
É preciso que os atuais comandantes do Executivo maringaense que confiram os seus belos discursos de outrora. O município foi esfacelado por administrações anteriores. Sabemos que tudo que aí está é somado às condições bastante miseráveis e precárias de uma população surrupiada e enganada há muito tempo. O PT de Maringá sabia disso, pois foi a base de seus discursos pré-eleição.
Mas o que está em questão não é especificamente saber se um partido é melhor ou pior que outro. O que está em questão é a cultura implantada dentro dos partidos. Sempre existiu e sempre existirá um efeito colateral entre uma administração e outra. Esses conflitos de idéias nada mais são que propriedades intelectuais defendidas por uma bandeira partidária.
Tais propriedades consistem em ter uma visão mais formulada dos ideais a cumprir e se diferenciar. Quem administra o município não mostrou, com clareza, o porquê de sua estada. Desde que os executivos começaram a disseminar frases de efeitos colaterais, aumentaram drasticamente o descrédito para o PT maringaense. Há necessidade de a prefeitura tomar um antibiótico, e urgente, para tratar as moléstias distribuídas e espalhadas pelo partido que comanda Maringá. Infelizmente, o Poder Público, seja ele administrado por este ou aquele partido, está infectado com o tumor maligno inflamatório, tudo por interesses particulares e partidários.
Os administradores públicos deveriam ter uma visão holística e colocar em ação um plano que faça pensar, que organize os sentidos, que faça a indução aos conceitos básicos de política, a importância que temos que ter para com as leis da natureza, que dê prioridade a uma economia voltada para a sociedade em forma de auxílio cultural e educacional, que coloque o homem a serviço do próprio homem. Isso, a oposição não enxergou ainda.
Para esse efeito, os governantes necessitam entender e executar três pontos essenciais: a) Ter conhecimento de causas; b) Trabalhar para a realização delas; c) Explorar as oportunidades existentes e as que surgirão. Conhecimento é passar por diversas experiências administrativas, públicas e privadas, para utilizar as culturas diferentes indispensáveis a um posicionamento de tomada de decisão eficaz. Só ser sindicalista não dá bagagem suficiente para lidar com uma população ativa de uma cidade como Maringá; realiza-se quando se enfatiza os projetos. Não é ficar apenas nas promessas e o que é pior, não as cumprir. É sempre bom ter participado de empreendimentos que tiveram sucesso e foram bem-vistos pelos eleitores, mas vale ressaltar que o aprendizado com os fracassos também é válido. O importante é não repetir os erros. Não é o que vem ocorrendo. Podemos até caracterizar tal organização como provinciana, tal sua constância em erros primários; e oportunidade é explicar o porquê das administrações anteriores terem sido omissas. Mostrar que oportunidades existem e podem ser executadas por pessoas qualificadas. Há necessidade de uma nova mentalidade, não essa mentalidade partidária arcaica.
Não adianta blasfemar contra as colocações feitas; o que precisa é se blasfemar contra essa cultura socioeconômica/administrativa provinciana e viciada. O único louvor digno da oposição de ontem é o combate à corrupção, mas não é só isso de que a sociedade necessita.
Se não mudarem a cultura e/ou a maneira das pessoas públicas que assumem tais cargos no Brasil, o País dificilmente sairá das últimas colocações socioeconômicas. As oportunidades estão surgindo para a oposição, mas ela não está sabendo usá-las como uma ferramenta de marketing. Infelizmente, essa é a triste realidade da oposição em nosso país. Eles estão ineficientes. Estão provando isso a cada dia que passa. Está visível a olho nu.


- GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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