Se é verdade que não podemos decidir sozinhos, também é absolutamente correto dizer que ninguém sozinho pode decidir por nós. Em todos os momentos sempre estamos diante da real necessidade de decidir. Mas é comum todos nós, em determinados momentos, considerar ser preferível não ter que decidir. Por inúmeras razões ou mesmo pela falta de alguma, acharíamos oportuno nos eximir de decidir. No entanto, se as decisões são efetivamente inevitáveis, o melhor a fazer é mesmo decidir.
Depois de amanhã é dia de eleições. Não podemos adiar a nossa decisão. Mas, por incrível que possa parecer para alguns, ou muitos, é necessário e possível refletir antes desta decisão a respeito do voto. Há tempo de analisar os fatos marcantes deste processo político-eleitoral. Refletir sobre nomes, propostas e os meios para buscar a concretização delas.
Há quem diga que a eleição é uma loteria. A comparação simplista pode também ser interpretada por outro ângulo. Se ela é uma loteria, tem que jogar, dar um palpite. Marcar, arriscar. Não jogar, não arriscar, aí sim é que não se terá chance alguma de acertar, ganhar.
Tendo que decidir, você, caro leitor/eleitor, assinaria uma procuração em branco? Ainda mais para alguém que não conhecesse minimamente?
Caso ainda não tenhamos decidido, há alguns aspectos que podem contribuir - em três fatalmente se enquadra o candidato: 1) Se ele está no poder; 2) Se ele já esteve no poder; e 3) Se nunca esteve no poder, de onde ele está vindo, o que pretende fazer, caso seja eleito. É fundamental considerar a posição na qual ele se encontra, se pode realizar algo em benefício do povo ou se está novamente trazendo as mesmas promessas vestidas com a roupagem da esperança, do novo, de novo.
Analisar as propostas, o conteúdo delas é outro fator imprescindível. Se existem idéias claras. Mais do que isto, se há uma relação coerente entre as idéias, trazendo no seu bojo o preparo e a própria vontade política para buscar efetivamente a concretização dos compromissos.
Presidente? Governador? Senador? Deputado estadual? Deputado federal? Qual voto é o mais importante? Todos. Por mais que tenhamos argumentos consistentes que nos levem a pensar que um cargo é mais importante que outro, é imprescindível ressaltar o seu peso institucional.
Pelo menos desconfie, e muito, da troca de favores, do ‘‘eu tudo farei’’, que chegou ou ainda poderá chegar até você. Das campanhas milionárias, patrocinadas por um forte poder econômico, que em sua maioria, para não dizer totalmente, financia políticos desde que eles venham fielmente a representar a ganância dos donos do dinheiro, defendendo-lhes tantas vezes escusos e inconfessáveis interesses.
Há uma elite que faz o discurso contra a massa sem escola, desdentada e passando fome, sem moradia e até mesmo despossuída da própria sorte, acusando-a de vender o seu voto por uma cesta básica, uma passagem, dentadura, laqueadura. Eles pela fome, o que é de certo modo compreensível; a elite, pela ganância, pelo insaciável apetite de também barganhar o seu voto, porém de uma forma sofisticada, através da chantagem, querendo amealhar cargos públicos, carteiras de motoristas, concessão de serviços públicos, tráfico de influências etc.
Se o eleitor achar que na política está tudo razoável, o suficiente para merecer a sua confiança, vote em quem está correspondendo, pois se a política vem correspondendo, corresponda politicamente votando. Se a política não estiver, é hora de mudar, e também será pela política a busca de novas alternativas. O caminho é sempre a política, manifestada pelo voto, consciente, livre, universal e indelegável.
Por isso é preciso decidir. O respeito com o nosso voto tem início em nós mesmos. Não decidir será sempre correr riscos de alguém fazê-lo por nós. Anular o voto ou deixá-lo em branco é omissão, covardia - e não decidir.
- JOSÉ EUGÊNIO MACIEL é sociólogo, professor, vereador e ex-secretário de Educação em Campo Mourão

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