Para professor, Curitiba ainda tem ares de província
Curitiba - Para o arquiteto e professor Salvador Gnoato, formado em 1977 e aluno dos fundadores do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, Curitiba passa agora por uma nova discussão. Ele defendeu ano passado na USP sua tese de mestrado, Arquitetura e Urbanismo de Curitiba, Transformações no Movimento Urbano. Ele avalia que Curitiba ainda precisa tornar-se metrópole, pois não deixou de ser provinciana.
Passada a fase áurea que projetou nacionalmente os nomes de arquitetos curitibanos, sobretudo em função dos inúmeros concursos vencidos por eles, é hora de retomar a discussão sobre o que sai de nossas pranchetas. ''Vale lembrar que, essas concorrências foram realizadas entre 1965 e 1970, tempo da ditadura. Ironicamente, o Estado repressor patrocinou a liberdade de expressão de muitos arquitetos. É preciso hoje de um novo mote criativo para tirar um pouco da poeira que ficou destes anos dourados'', avalia o professor.
Gnoato desenvolveu um estudo que passa por todas as fases da história da arquitetura da cidade. Sabe na ponta da língua nomes dos seus principais prédios, suas fases e seus projetistas. Foi na época dos militares que os grandes escritórios como o de Luiz Forte Netto, de Roberto Gandolfi, de José Sanchotene e de Joel Ramalho com Leonardo Oba, começaram a faturar os principais concursos Brasil afora.
Dessa forma Curitiba ganhou fama por seus bons criadores. ''Nos concursos como do Euro Kursall (1965), da Ópera de Campinas (1966), do Pavilhão de Osaka (1970), do Hotel Juazeiro (1968) e do Estádio do Pinheirão (1970) só os curitibanos ganharam'', conta. Foi nessa fase que prédios do Ipê de Curitiba, da Petrobras no Rio de Janeiro e ainda o do BNDES foram projetados por Luiz Forte Neto.(A.C.G.)





