A instalação de grades no Terminal Rodoviário de Londrina trouxe novamente à tona um drama social complexo que obviamente não se resolverá com medidas simples. Estamos falando do acesso da população de rua aos locais públicos, como a rodoviária. O gradil foi colocado no terminal com o objetivo de evitar que os moradores em situação de rua dormissem na parte posterior e também, segundo a prefeitura, para impedir o acesso de assaltantes e traficantes. Elas acabaram sendo retiradas na manhã desta quinta-feira (8) após intervenção do MP (Ministério Público).

As razões que levam as pessoas a morarem nas ruas são várias, passando por desentendimentos familiares, dependência química, alcoolismo e crise financeira. Nos últimos anos, o número de indivíduos dormindo em praças, sob marquises e espaços públicos vem aumentando e o problema acontece em muitas cidades brasileiras. Infelizmente, o mundo inteiro assiste ao drama de quem não tem uma casa para morar. E muitas vezes, essas pessoas só deixam de ser invisíveis à sociedade quando ocorre uma polêmica (como as grades na rodoviária) ou por uma situação ainda mais triste, quando elas são vítimas ou cometem algum crime.

Visíveis ou não, tudo depende do olhar do observador. Quem são as pessoas que se escondem atrás de roupas sujas, se alimentam da caridade e dormem em lugares perigosos? Vez por outra as prefeituras fazem um censo da população de rua e o resultado deixa evidente o quanto cruel pode ser a vida quando ela dá uma guinada para o inesperado. Pode ser o desemprego, um desentendimento familiar ou um vício.

Em Londrina, há serviços de atendimento a essa população, como o Centro Pop, as repúblicas de acolhimento de pessoas em vulnerabilidade e risco social e entidades e organizações que se unem para ajudá-los com abrigo, alimentação e banho quente. É uma solução paliativa. Diante de uma situação tão complexa, os municípios precisam investir em políticas sociais combinadas, em planejamento continuado e no estudo de soluções que já deram resultados em outros lugares.

Os moradores em situação de rua são pessoas com os mesmos direitos civis e políticos que qualquer cidadão. Antes de tudo, os problemas deles precisam ser tratados com humanidade.

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