A decisão de apoiar a reeleição de Fernando Henrique abre as condições para que o PMDB se transforme no pólo energizador do cenário eleitoral deste ano e um dos principais atores da reforma política, a se iniciar logo após as eleições. O banda do PMDB que apóia o governo age com muito pragmatismo: a reeleição de FHC fortalecerá o partido, dando-lhe o maior número de governadores e uma das maiores bancadas parlamentares (a segunda ou a primeira); com este cacife, o partido se habilita a ser o fiel da balança na eleição presidencial de 2.002, podendo disputar com candidato próprio ou integrando a chapa majoritária junto com o PSDB.
As hipóteses são bem viáveis. Todos sabem que o PFL começa a preparar Luis Eduardo Magalhães para vestir o traje presidencial em 2.002, colocando-o, este ano, na frente do governo da Bahia. A sabedoria do pai, ACM, leva em conta um estágio no Executivo, antes do pleito maior. O PSDB, por seu lado, terá como principal estrela ascendente Tasso Jereissati, que poderá ser ministro do segundo governo FHC, depois de passar mais algum tempo como governador, num terceiro mandato. Covas, que já sinaliza a possibilidade de ser candidato em São Paulo, tem muitas chances de ganhar de Maluf, no segundo turno. Poderá também ser o nome do PSDB, mas a saúde e a condição de paulista do governador ranzinza não o favorecerão.
No lado do PPB, Maluf poderá despontar como candidato a presidente, em 2.002, em caso de derrota para Covas, este ano. Se ganhar, como já tem frisado, partirá para uma reeleição, em São Paulo. Tratando-se de Maluf, tudo é possível, até uma aliança com o PFL de Luís Eduardo. PFL e PPB, portanto, poderão se juntar, fazendo uma aliança contra o PSDB e o PMDB. Se Tasso for o candidato dos tucanos, seria muito conveniente que a candidatura a vice saísse do Sudeste. A possibilidade de coligação com o PMDB colocaria como candidato possível nessa posição o presidente da Câmara, Michel Temer, que é um dos políticos emergentes da nova safra. Caso o PMDB decida por uma candidatura própria, além do nome de Michel aparecem, ainda, dois nomes de peso: o senador Jader Barbalho, líder do partido no Senado, e o senador Íris Resende, atual ministro da Justiça.
Para a estratégia peemedebista ganhar força, algumas pré-condições se impõem. A primeira é a preservação da presidência da Câmara nas mãos do PMDB, alternativa que se apresenta cada vez mais viável ante a vontade manifesta de Antônio Carlos Magalhães de continuar comandando o Senado na próxima legislatura. Seria muito difícil deixar as duas casas nas mãos do PFL. E como o PSDB já teria o cargo maior da Nação, sobraria para o PMDB a continuidade da presidência da Câmara. Michel Temer tem, nesse caso, grandes chances de continuar presidindo os deputados. É claro que outra pré-condição estará numa forte representação parlamentar, hipótese bastante provável diante da chance de reeleição dos atuais governadores do PMDB.
Esse cenário poderá mudar muito, se a reforma política chegar a se completar por volta de 2.002. Parcela substantiva do PMDB - a que ganhou a Convenção - poderia se aglutinar com o PSDB, formando um gigantesco partido majoritário. A esse conglomerado, juntar-se-iam ainda figurantes dos partidos de esquerda (PDT, PSB e até do PT), insatisfeitos com os rumos e as estratégias assumidas por seus desgastados caciques. A meta de um partido político é conquistar o poder. E, mais que isso, o centro do poder. É essa meta que inspira o PMDB. Alguns analistas acham que o partido se enfraqueceu com a divisão entre governistas e oposicionistas. O que se viu foi um partido que dominou o noticiário por mais de uma semana. As divisões, os embates, o calor e as emoções oxigenam a democracia. O PMDB, até prova em contrário, agiu, pragmaticamente, abrindo frentes para o futuro.

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