Para onde levam o Brasil? - Leonel Brizola
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Leonel Brizola 
O valor é chocante: saíram do Brasil, apenas em agosto, nada menos que US$ 12 bilhões (para dar idéia do valor, o suficiente para construir 2 milhões de casas populares) em função da crise especulativa. Saídas que continuam, todos os dias, e nada indica que irão parar. No mundo inteiro, imprensa e especialistas em finanças admitem que as políticas econômicas sustentadas na entrada maciça de capitais especulativos estão exauridas e não se sustentarão nem mesmo por um prazo razoável.
O caminho seguido pelo Brasil nos últimos quatro anos está esgotado. Agora, já não se trata de saber se a política econômica brasileira irá ou não mudar. Isto ocorrerá, inevitavelmente. O que está em causa é quando e como serão as mudanças.
Os exemplos do mundo estão aí, claros e à nossa frente. Em nome deste modelo, endividou-se o País em níveis insustentáveis: a dívida externa, desde a posse do atual presidente, passou de US$ 120 bilhões para US$ 240 bilhões. A dívida pública interna saltou de R$ 60 bilhões para quase R$ 400 bilhões.
Endividando-nos assim, seu governo acumulou reservas de mais de US$ 70 bilhões (pagando juros monstruosos!), que, agora, ele está queimando para segurar a fuga dos dólares. O que aconteceu com os países que fizeram isso? Queimaram as reservas, arruinaram suas exportações, ampliaram a recessão e o desemprego até que foram levados ao colapso financeiro, como o da Rússia, trazendo a maxidesvalorização da moeda e a incapacidade de honrar as contas externas. Numa palavra, o caos. Este é o desfecho inevitável de persistir na política que se aplicou lá e aplicam aqui.
Será diferente num país que, como o Brasil, sangra dólares por todo lado - câmbio, déficit comercial, e um endividamento que, além de consumir todos os nossos recursos - inclusive os obtidos com a venda, a qualquer preço, das empresas públicas - cresce vertiginosamente?
Há entretanto, outro caminho, que o Brasil, como nenhum outro país, em razão de seu peso econômico e de seu potencial, tem diante de si. Por enquanto, ainda é possível mudar nossa política econômica de forma prudente, equilibrada, sem radicalismos e, sobretudo, com um mínimo de sacrifícios para a população e para todos os que produzem riqueza. Um governo coerente e austero, em nosso país, que aja com firmeza e responsabilidade, será ouvido pelo mundo e pelas forças econômicas e pode negociar saídas para estes impasses com que se defronta. O Brasil tem peso para negociar.
Que ninguém se engane apoiando a reeleição de Fernando Henrique em nome da estabilidade. A continuidade de seu governo e desta política econômica nos levará a uma crise sem precedentes. Com um novo governo, poderemos mudar de rumos como o fizeram os próprios EUA, em 29, com o New Deal de Roosevelt: trabalho para todos, com crescimento econômico e justiça social. Com o continuísmo de Fernando Henrique, ao contrário, será a mudança compulsória de uma falsa estabilidade para o verdadeiro caos.
- LEONEL BRIZOLA é presidente nacional do PDT
(http://www.pdt-pr.org.br)


