Fiz esta pergunta a mim mesmo e à instituição Partido dos Trabalhadores ao saber do conteúdo da última reunião do Diretório Regional do Paraná, no dia 26 de abril. A pauta da reunião indicou, por si só, o que está sendo a maior prioridade do Partido: as crises internas. Estavam na ordem do dia as crises de Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Gastou-se o sábado, quase inteiro, para discutir e decidir os culpados e suas penalidades para a crise de Londrina.
No quadro conjuntural do Paraná, o PT, por sua vontade, está fadado a ficar com as sobras da redivisão político partidária que acontece no Estado. Enquanto Jaime Lerner e Álvaro Dias engalfinham-se para decidir quem será o candidato de Fernando Henrique ao governo estadual e Roberto Requião busca consolidar-se como o nome da oposição, o PT fica calado para, a exemplo de eleições anteriores, tentar achar uma vaga de coadjuvante no cenário político paranaense.
Já no pleito municipal do ano passado, o PT estadual executou política equivocada de intervenção e alianças, achando que conseguiria uma vitória expressiva no Estado. Falhou fragorosamente. Em Londrina, o objetivo primeiro foi resguardar o projeto pessoal do ex-prefeito, mesmo custando entregar a prefeitura mais importante que o partido disputava no Estado. Essa postura afetou o desempenho petista em todo o Paraná. A importância político-administrativa de Londrina não foi compensada pela vitória do partido em seis municípios paranaenses.
O Tribunal petista enrolou-se ante o regimento interno do Partido e seus princípios e fez um julgamento complacente com os interesses individuais e imediatos da política eleitoral. Jogou fora a oportunidade de discutir política e dar um rumo a sua intervenção externa.
Problemas internos tornam-se ponto de pauta e de maior preocupação quando não se tem clareza do que fazer diante da situação em que vivemos. Se o partido tivesse uma estratégia de atuação no Paraná, com certeza as crises perderiam importância. O PT não tem uma alternativa de governo para o Estado. Guia-se apenas pelos interesses pessoais que o dominam e pela disputa de cargos internos entre as várias tendências que querem moldar o Partido a suas idéias e vontades. Faltam lideranças petistas expressivas e aglutinadoras no Paraná porque falta linha política de atuação.
O PT não pode ficar assim. Ainda é o partido com maior poder de aglutinar as esperanças populares. É um patrimônio público. Não pode correr o risco de perder-se ante a prática nefasta da velha politicagem. Nasceu como representante do novo na política partidária e, como tal, precisa mostrar a que veio. Deve deixar os movimentos sociais e suas lutas novamente inebriarem o ar que respira e constituirem o objetivo principal de sua existência, seu verdadeiro motivo de vida.
Esta discussão tem de dar-se com a sociedade. Querer que a crise do Partido fique restrita ao campo interno, deixando que apenas especulações prevaleçam como informações ao público, é condenar o PT ao isolamento e a seu fim. O PT é maior que suas direções e seus erros.
É com a sociedade que o PT deve buscar seu rumo. Estamos em uma travessia, cujo rio turbulento da política só poderá ser vencido com o apoio e participação popular. Para consegui-los, o PT deve demonstrar discernimento. É para fora que tem que olhar. Os problemas da sociedade são maiores e mais importantes que os seus próprios.

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