O título acima é um paradoxo que estamos arrostando hoje no Brasil. O homem já conquistou o espaço, explorou e explora o impossível, praticamente em todos os âmbitos criativos que se tem notícia, por meio de verdadeiras revoluções sucessivas na ciência e tecnologia da eletrônica, da engenharia biológica ao controle da qualidade da vida e da defesa do ambiente , produz energia nuclear que é utilizada de modo pacífico ou destrutivo. Mas, nós, porém, nos deparamos com certos preconceitos inaceitáveis, que é a seguridade de cotas para vagas nas universidades para pessoas negras ou pardas.
Essa é uma idéia das mais preconceituosas que temos notícia no Brasil. A Constituição é clara: todos somos iguais perante a lei. Como definir quem é negro ou pardo no Brasil pronto para ocupar um lugar na universidade? Isso não passa de clientelismo, fisiologismo, paternalismo e populismo de quem nos governa.
Nada de utopia, senhores! É como se a humanidade tivesse esgotado o seu potencial inventivo no ''progresso''. O nosso presidente tem de propor projetos para erradicar a má qualidade do ensino em nosso País. Sem educação, a fome que ele tanto quer acabar não terá êxito. Pois a educação é tão ou mais importante que o combate à fome.
Há de se fazer algumas perguntas: Por que essas cotas são necessárias? Qual a diferença entre um negro e um branco? Afinal, somos todos iguais! A discriminação é uma agressão à dignidade humana.
O critério usado para a avaliação é inconstitucional. Temos notícia de que uma garota perdeu sua vaga, em uma faculdade no Rio de Janeiro, para outra pessoa com notas inferiores só porque esta era negra. Tudo em nome do fisiologismo cultural dos que nos governam.
Ainda bem que Lula não pensa em usar o mesmo critério no programa Fome Zero. Assim não se corre o risco de algum especialista determinar, entre os miseráveis, quem está com mais fome para, aí, então, entregar as cestas básicas.
É, justamente, isso que se está fazendo no sistema de cotas na educação. Todos precisam de educação, assim como todos necessitam de alimentação. Em vez de cotas da educação, que sejam ampliadas as vagas de forma a oferecer educação de qualidade à maioria negra, parda, branca, cafuza dos brasileiros.
O investimento na educação geraria mais empregos. Com a construção de novas escolas, o Estado contrataria mais professores, bibliotecários, etc. Caso o governo alegue não haver verbas para realizar tudo isso, basta que se aperte o cerco contra os corruptos que vêm rindo em nossas caras há anos, pois a sonegação dos impostos é vergonhosa, bem como as manobras políticas do próprio governo federal, estadual e municipal.
Temos que ter um outro tipo de educação, bem como de uma nova civilização calcada em valores morais e éticos que emana do povo para o povo.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá