Para o País não voltar ao Mapa da Fome
Ao mesmo tempo em que o mundo celebra o Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o Brasil retoma depois de dez anos suspensa a campanha "Natal sem Fome" o relançamento foi no último domingo. Segundo o Conselho da ONG Ação da Cidadania, o objetivo é evitar que o Brasil retorne ao Mapa da Fome das Nações Unidas, o qual deixou de figurar em 2014. O mapa é um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) que mostra onde vivem os milhões de pessoas que ainda passam fome no mundo.
A situação é preocupante. Um documento feito no último mês de julho por cerca de 40 entidades da sociedade civil sobre o desempenho do Brasil no cumprimento dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU alerta para o risco de o País voltar a figurar no próximo Mapa da Fome.
O aumento da pobreza e da vulnerabilidade social, como consequência das crises econômica e política, leva a Nação a pensar em soluções para um problema que achou que tivesse vencido.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad, do IBGE) de 2014 apontou que sete milhões de pessoas passam fome no País, mas esse número só cresce desde então. No mundo, o problema atinge 11% da população.
A meta da campanha - idealizada pelo sociólogo Betinho em 1993 - é arrecadar 500 toneladas de alimentos não perecíveis, que já podem ser entregues nos postos de coleta de todo o País (a lista está disponível no site www.natalsemfome.org.br). As doações serão organizadas em cestas básicas e distribuídas para a população carente no último fim de semana antes do Natal. A estimativa é atender dois milhões de pessoas.
Sabemos que campanhas como esta são ações simbólicas, que servem para alertar a sociedade para o problema. O importante mesmo é a implementação de políticas públicas focadas nas populações mais vulneráveis para enfrentar de frente a situação. Isso passa pela geração de emprego e de renda, acesso à educação, incentivo à agricultura familiar, entre outros.





