Para o bem da imagem
A indicação da deputada federal Rita Camata (ES) pelo PMDB para ocupar a vaga de candidata a vice-presidente na chapa de José Serra (PSDB) muda pouco ou quase nada o quadro eleitoral. A aliança com o PMDB, que dará ao candidato mais tempo da televisão, estava acertada pelo menos desde janeiro, quando Serra anunciou sua candidatura e, logo em seguida, convidou o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, para integrar a chapa. Rita, com certeza, acrescenta charme à chapa, por ser mulher e bonita. Mas nada garante que os problemas internos do PMDB, verdadeira razão pela qual a escolha do vice demorou tanto a sair, estejam resolvidos.
A resistência de alguns grupos do partido, em particular do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e do governador mineiro, Itamar Franco, deve-se menos ao nome em discussão para ocupar a vice e mais aos seus próprios problemas nos estados. A posição de Quércia é ilustrativa. A verticalização determinou que, nos estados, os partidos repitam as coligações feitas em nível nacional. Em São Paulo, portanto, o PMDB de Quércia deveria se aliar ao PSDB do governador Geraldo Alckmin. Trata-se de um acordo quase impossível.
O PSDB já se arrumou com o PFL, a quem coube a indicação de um dos candidatos ao Senado. A outra vaga ficou com o presidente nacional do partido, deputado José Aníbal. Como Quércia também quer brigar pelo Senado, a alternativa para viabilizar sua pretensão seria coligar-se com outro partido no caso, o PT. Para isso, o PMDB deveria ficar sem candidato a presidente da República, o que liberaria o partido nos estados.
Ao que tudo indica, a oposição a um acordo nacional com o PSDB não tem chances de prosperar. Mas nada garante que esse grupo continue fazendo barulho contra a coligação oficial. O nome do senador Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, estava na disputa contra Rita não apenas por seu passado político, mas por contemplar exatamente a ala oposicionista. Simon era o nome preferido desse grupo para ser o candidato a presidente do partido. A vitória de Rita repete o ritual no qual se engalfinhou o PMDB há mais de um ano a hegemonia da cúpula sobre as decisões partidárias. Não elimina de vez as resistências.
Em quatro meses de discussões sobre quem seria o candidato a vice de Serra, ouviu-se de tudo. Jarbas Vasconcelos, o preferido, era ideal porque representava o Nordeste e era um nome respeitado no país. Sem ele, que recusou o convite, a figura do vice minguou. Veio depois Henrique Eduardo Alves (RN), excluído da disputa quando se divulgou a suspeita de que ele tem contas bancárias no exterior não declaradas à Receita Federal. Nas últimas semanas, com a dificuldade de se encontrar um nome para substituí-lo, dizia-se que vice não serve para nada e deveria até ser abolido da cena política.
Com Rita de volta à disputa, o vice ganhou estatura. A deputada já é encarada como um trunfo de marketing, nessa fase Nizan Guanaes de campanha, capaz de acrescentar doçura, preocupações sociais e beleza à chapa do PSDB. Isso tudo embrulhado numa atuação parlamentar que inclui muitos votos contra projetos de interesse do governo. A possibilidade de Rita, com esse perfil, ajudar a campanha eleitoralmente ainda vai ser testada. Sua indicação, por enquanto, significa a solução de mais um conflito nessa tumultuada aliança entre PSDB e PMDB. Restam outros nos estados.
- ARLETE SALVADOR é jornalista em Brasília





