Lideranças políticas e empresários brasileiros se reuniram com representantes do governo japonês esta semana, em Curitiba, para entender os motivos que levaram o Japão a comprar menos produtos do Brasil nos últimos anos. Segundo estudo elaborado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), em 2012, o Brasil participava com 3,4% das compras feitas pelo Japão. E essa participação caiu para 2,5% no ano passado. Os participantes da 20ª Reunião do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão querem reverter esse cenário e deixaram o encontro, realizado na Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), otimistas. A CNI e a Keidanren (entidade congênere japonesa) firmaram o primeiro acordo comercial em 1974 e o Japão é o 6º país no ranking de investimentos diretos recebido pelo Brasil. Mas há contratos mais antigos que comprovam a parceria entre os dois países. Em 1953, por exemplo, era feito o primeiro embarque de produtos da Vale para a terra do sol nascente. É importante lembrar que mesmo nos anos do encolhimento, como 2016, 2,5% das exportações brasileiras tiveram como destino o Japão e 2,6% das importações vieram daquele país. Outro dado comprova que a parceria é importante: segundo a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Japão, a presença de empresas japonesas no Paraná mais que dobrou desde 2011. Os dois países têm história, pois é forte a presença dos imigrantes japoneses no Paraná e nas relações comerciais é evidente o interesse nas áreas de infraestrutura, agricultura e automobilismo. Uma iniciativa pode ajudar nessa retomada. O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) lançou recentemente um Programa de Parceria em Investimentos (PPI) com 90 projetos que visam promover ações estruturadas em um ambiente integrado. Mas é preciso considerar que a vinda de uma fatia maior do capital estrangeiro para o Brasil não depende apenas de bons projetos. Proporcionar segurança jurídica para os investidores, transparência e um bom ambiente de negócios é fundamental. Instabilidade política e leis que mudam a toda hora são um grande desestímulo. É preciso mudar esse cenário, melhorando o ambiente de negócios no Brasil.

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