Para Londrina ser a Capital da Paz
No discurso de sua posse recente, o arcebispo Orlando Brandes havendo tomado conhecimento de que Londrina fora a Capital do Café e hoje atravessa fase de insegurança, por conta da violência declarou que iria dedicar-se a transformar Londrina na Capital da Paz. Palavras alentadoras, partidas de uma autoridade eclesiástica de reconhecido poder, e sabe-se que do esforço das pessoas influentes e da comunidade é que se chega a resultados positivos. Às palavras do sacerdote somam-se agora as do policial o novo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Joacyr José da Silva, que se pronuncia otimista, especialmente pelo reforço de 260 policiais que a cidade irá receber nos próximos meses. A tarefa de implantar a almejada paz é árdua, e muito mais numa cidade múltipla e da dimensão de Londrina, mas percebe-se que ao menos alguns esforços estão sendo feitos, como a vontade manifestada pelo chefe da Igreja Católica e a convicção do novo titular do BPM. Lideranças como estas têm o poder de induzir as demais forças atuantes da cidade e de mobilizar também a população. E esta pode cooperar de várias formas, embora e com sua dose de razão, porque paga impostos para obter garantias pensa que deve entregar tudo nas mãos das autoridades. É dever de cada cidadão ficar vigilante e não facilitar as coisas para os bandidos o que não significa reagir pela força, pois isto é um risco muito alto e, entre os que podem, abrir possibilidades de trabalho de forma a evitar que um desempregado derive para a delinquência. Conclama-se também aos empregadores que revejam decisões de demitir por medida de economia, quando as consequências para a coletividade podem resultar piores. Esta é uma forma de participação que se pede do conjunto da sociedade, para dar respaldo às ações dos organismos de repressão e de segurança. Não se espera que apenas a mudança de comando numa das instituições do policiamento resolva o problema da criminalidade em Londrina, mas equivocam-se as demais lideranças do município e da região próxima, assim como a população em geral, se pensam que não precisam cooperar. Converter Londrina na Capital da Paz é uma conquista possível e precisa envolver todos os cidadãos. O simples ato de o empresário, ou mesmo uma dona de casa, não dispensar um serviçal, elimina um transtorno social e pode estar eliminando um eventual delinquente. Porque a ausência de um salário num país de escassas vagas de trabalho é a pior das companheiras e, ante a fome que venha a rondar o lar, um chefe de família entra em desespero. É preciso pensar nisso com seriedade. Há que combater não apenas as consequências, uma função do policiamento, ao lado da prevenção, mas também as causas, que são função da sociedade.





