Para Itamaraty, Argentina estádistante de resolver problemas
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sexta-feira, 05 de abril de 2002
Agência Estado 
Brasília - A Argentina conseguiu resolver seus problemas periféricos, mas continua distante da solução de seus principais dilemas políticos e econômicos. De acordo com a análise de fontes do Itamaraty que acompanham o dia-a-dia do país vizinho, o presidente Eduardo Duhalde tem demonstrado habilidade para sustentar o seu frágil governo. Porém, continua sem saídas visíveis para a retomada da atividade econômica e para o esperado acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
De acordo com essas fontes, a aplicação de uma alíquota do Imposto de Exportação de 20% sobre 80 produtos agrícolas, principalmente grãos, é compreeensível. A medida deverá provocar a elevação dos custos de importação de trigo e de arroz argentinos pelo Brasil, com prováveis impactos inflacionários no País. Mas trata-se de uma iniciativa que, segundo Duhalde, será temporária, e que terá como objetivos organizar minimamente as finanças do país e manter os programas de subsídio social.
Segundo as fontes ouvidas pela Agência Estado, a equipe do ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, demonstrou consistência ao conter a escalada da taxa de câmbio, há cerca de 10 dias, quando o dólar chegou a ser cotado a mais de quatro pesos. Com isso, as filas quilométricas nas portas das casas de câmbio desapareceram, assim como os panelaços na frente dos bancos, em um sinal de razoável tranquilidade.
De acordo com a análise, se não pode voltar a crescer neste momento a taxas consideradas razoáveis, a Argentina pelo menos apresenta condições para deixar a situação de paralisia de sua atividade econômica. O ressurgimento do turismo externo, no período da Semana Santa, contribuiu com o ingresso de 1 bilhão de pesos no país. Da mesma forma, a safra agrícola que começa a ser colhida tenderá a se tornar o único dos grandes setores argentinos a gerar renda e emprego.


