Exigências de uma educação de qualidade são elaboradas e requeridas diariamente no trabalho educacional. E, no que diz respeito ao ensino de língua estrangeira, mais especificamente, de Língua Inglesa, tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio, essas exigências são redobradas. No entanto, não temos tido condições de produção adequadas para um ensino de Língua Inglesa coerente conforme orientações de documentos prescritivos, a começar pela seleção e escolha de livros didáticos.
Um exemplo disso é a escolha de livros didáticos para o ensino de Língua Inglesa nas escolas públicas, realizada em 2010 para que fossem utilizados a partir de 2011 no Ensino Fundamental. O fato é que, em todo o Brasil, de um total de 26 coleções de livros, submetidos à avaliação do MEC, apenas duas coleções foram aprovadas para a escolha do material didático. Assim, os livros aprovados por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) para o ensino de Língua Inglesa chegaram às escolas públicas por meio de uma imposição aos professores da área para que a escolha fosse feita. Mas, conforme orientação do PNLD, ''os livros didáticos passam por um processo democrático de escolha, com base no guia do livro didático. Diretores e professores analisam e escolhem as obras que serão utilizadas''.
O período para a escolha desses materiais foi de 8 a 28 de junho de 2010. Contudo, o que tivemos de tão democrático com esta escolha se a seleção já havia sido pré-definida?
Os critérios da seleção dos materiais aprovados pelo MEC não estavam claros o suficiente, considerando-se a incoerência perceptível entre a disposição das atividades nos livros selecionados, bem como a visão de linguagem que parecem defender e a proposta dos documentos prescritivos para o ensino de língua estrangeira, tanto a nível nacional como estadual. Por que não considerar a realidade de cada estado quando há tanta produção de material didático desenvolvido e elaborado por professores extremamente competentes da Educação Básica no Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), como o do Paraná, por exemplo?
Parece-nos uma proposta contraditória, pois a orientação que encontramos no site do Ministério da Educação sobre a escolha do livro didático é que ele deve estar adequado às necessidades da escola, do aluno e do professor. Assim, por que não analisar e aprovar materiais didáticos produzidos por professores doutores e especialistas no assunto, conhecedores da perspectiva teórico-metodológica oferecida pelos documentos oficiais de seu estado quando temos profissionais para isto? A nosso ver, passa a ser uma prescrição incoerente exigir a escolha de um único material e que seja utilizado do Oiapoque ao Chuí, do extremo norte ao extremo sul do País, quando temos uma produção de materiais coerente com a proposta curricular para o ensino de língua estrangeira, como no caso do Paraná, e uma diversidade de realidades de ensino e aprendizagem de língua estrangeira em todo o Brasil.
Como resultado desta seleção, escolha e aplicação do material, temos constatado que os livros didáticos escolhidos não correspondem às orientações dos documentos prescrivitos, gerando insatisfação e frustração no ensino de Língua Inglesa no Ensino Fundamental nas escolas públicas.
Enfim, trata-se de uma exigência do sistema educacional que acaba se caracterizando como incoerente e contraditória, o que desmotiva ainda mais o ensino e aprendizagem da Língua Inglesa nas escolas públicas, além da formação de professores. No entanto, ainda acreditamos que os órgãos competentes e responsáveis possam reavaliar o trabalho de seleção de material didático, pois, do contrário, esta é somente mais uma ação para Inglês ver.

MARIA IZABEL RODRIGUES TOGNATO é professora doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem na Unespar/Fecilcam em Campo Mourão

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