Para entender a classe C
A parcela emergente da população brasileira, a classe C, mereceu um estudo bem detalhado por parte da Serasa Experian e do Instituto Data Popular, que acaba de ser divulgado. O interesse é bem compreensível. Segundo órgãos de pesquisa, entre 2008 e 2010, mais de 10 milhões de pessoas passaram a fazer parte desse grupo, tornando-se a maioria no País. Obviamente, essa nova realidade está mudando por aqui o padrão de consumo. Feliz, então, os empresários que conhecerem o perfil e os desejos da nova classe média.
O grupo, que representa 54% da população brasileira, apresenta quatro perfis distintos, conforme apontou o estudo Faces da Classe Média. Os analistas incluíram nessa parcela da sociedade as famílias com renda mensal per capita de R$ 320,01 a R$ 1.120,00. São cerca de 108 milhões de pessoas que gastaram R$ 1,17 trilhão e movimentaram 58% do crédito ofertado no País, no ano passado.
Os quatro tipos identificados são batalhadores, experientes, promissores e empreendedores. Confirmando a fama do brasileiro guerreiro, o grupo dos batalhadores forma a grande maioria dessa camada social. Foram os que mais gastaram: R$ 388,9 bilhões. Os idosos são identificados como experientes, enquanto os jovens aparecem como os promissores. Já os empreendedores ocupam a menor fatia, porém têm a maior renda per capita, gastando no ano passado R$ 276 milhões.
O ponto mais importante desse estudo é mostrar que não se pode tratar a classe C brasileira como se fosse um grande conjunto de indivíduos semelhantes no estilo de vida e necessidades. Basta imaginar que se fosse um país, a classe média seria o 12º mais populoso do mundo. É preciso respeitar as diferenças.
Os analistas apontam que essa tendência de crescimento da classe média permanecerá nos próximos anos. Ou seja, o Brasil deverá continuar reduzindo a pobreza e se consolidando como um país com maioria da população enquadrada na classe média. Os mais pobres passarão de 49 milhões de pessoas em 2013 para 20 milhões em 2023. Na próxima década, a classe C chegará aos 125 milhões de pessoas. É uma grande oportunidade para as empresas se aventurarem a decifrar esse tão importante grupo.





