Trazendo um impacto profundo na sociedade, a quarta revolução industrial se caracteriza por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão dos mundos físico, digital e biológico. Automação, Inteligência Artificial, Internet das Coisas são alguns dos alicerces da chamada Indústria 4.0, que traz importantes desafios para a economia brasileira. Vivemos uma era em que as empresas e os profissionais têm que estar preparados para novas habilidades e conhecimentos tecnológicos como nunca se viu antes.
Conforme reportagem publicada nesta quarta-feira (18), na editoria de Economia da FOLHA, levantamento realizado pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) prevê o surgimento de 30 novas ocupações em oito áreas: automotivo; alimentos e bebidas; construção civil; têxtil e vestuário; tecnologias da informação e comunicação; máquinas e ferramentas; química e petroquímica; e petróleo e gás.
O cenário é propício – segundo o estudo - para o surgimento de novas profissões que devem se consolidar nos próximos cinco a dez anos, como engenheiro de cibersegurança, técnico em informação e automação, mecânico de veículos híbridos e projetista para tecnologias 3D. Ao mesmo tempo, ocupações que já existem devem ganhar destaque, a exemplo do técnico em redes de computadores e técnico programador de games digitais. O caminho para acompanhar toda esta revolução, segundo os especialistas, é "se reinventar" e adquirir habilidades em campos de conhecimento distintos.
O conceito da Indústria 4.0 começou a se tornar público em 2011 na Feira de Hannover, na Alemanha. Na visão de estudiosos sobre o assunto, grande parte da indústria brasileira está bem longe desta realidade, ainda vivenciando a transição das linhas de montagem e energia elétrica para a automação por meio da eletrônica, robótica e programação.
Para se aproximar da densidade robótica da Alemanha, por exemplo, o Brasil teria que instalar aproximadamente 165 mil robôs industriais. Dar esta guinada em meio à crise econômica e política vivida pelo País é ainda mais complicado. Assim como apontou o relatório da última edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para evitar o desemprego se faz necessário o investimento em carreiras que envolvam o relacionamento e a criatividade, funções ainda não reproduzidas com precisão pela Inteligência Artificial.
Mais do que nunca, as políticas públicas deverão estar voltadas para a educação e a formação de mão de obra capacitada com habilidades futuras. Às vésperas das eleições, há que se atentar para o foco dos nossos futuros governantes e sua sensibilidade para não deixar que a quarta revolução industrial aumente o abismo social.

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