Para encerrar com chave de ouro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Gilberto Antonio Cantú <br> 
Esta notícia é para encerrarmos 2012 com chave de ouro. O início das obras de duplicação da Serra do Cafezal, um dos trechos mais críticos da Rodovia Régis Bittencourt, foi adiado mais uma vez. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) pediu novas informações para dar a licença ambiental para a obra na região do Vale do Ribeira.
É um absurdo o descaso com a vida dos motoristas que trafegam pela Serra do Cafezal. Esta decisão do Ibama que, depois de analisar o relatório de impacto ambiental apresentado pela Autopista Régis Bittencourt, consórcio do grupo OHL que responde pela rodovia, rejeitou o estudo da companhia e apontou uma série de problemas que precisam ser corrigidos para liberar, definitivamente, o empreendimento, parece piada. Mas, infelizmente, não é.
Esta duplicação é de extrema importância e o processo para que isso ocorra se arrasta há mais de uma década. É uma palhaçada.
O instituto entendeu que não se vislumbra neste momento a segurança necessária para a emissão da licença pretendida, uma vez que ainda restam dúvidas, necessidades de complementação e até mesmo revisão de vários dos programas ambientais propostos.
Entretanto, este trecho da BR-116 é extremamente perigoso. Como já disse mais de uma vez, é muita irresponsabilidade postergar ainda mais esta duplicação, até mesmo porque, apesar de representar 20% do percurso de quem trafega entre São Paulo e Curitiba, os trechos de serra concentraram 40% dos acidentes em 2012.
A concessionária que administra a estrada só conseguiu autorização para duplicar os dois extremos da serra. Um fica no alto, próximo à cidade de Juquitiba, e outro na parte de baixo, em Miracatu, todas no interior de São Paulo. Os 19 quilômetros de pista simples que ficam bem no meio da Serra do Cafezal ainda aguardam licenciamento ambiental para serem duplicados.
O resultado prático dessa situação é que um perigoso trecho de 19 quilômetros da Serra do Cafezal, localizado no município de Miracatu (SP), segue com pista única, colaborando ativamente com os altos índices de acidentes.
Vale lembrar que em 2009 a Serra do Cafezal registrou 506 acidentes. No ano seguinte, somou mais 509 ocorrências. No ano passado, foram 490 acidentes. Neste ano, com a duplicação de 11 km, o índice apresenta uma queda mais acentuada. Até outubro, segundo o consórcio, foram feitas 357 notificações no trecho.
Ainda assim, é melhor postergar ainda mais esta importante obra, na visão de alguns. Enquanto isso pessoas vão sofrendo acidentes, alguns fatais, neste trecho da via. Agora nos resta a pergunta: quem vai se responsabilizar por isso?
Além disso, é bom nos lembrarmos que, além das vidas que correm perigo dos que trafegam pelo trecho, é rotina para os motoristas ficarem parados no meio da estrada, formando imensas filas e gerando prejuízo para todos.
Enquanto isso, melhor do que permitir uma obra de extrema importância é fechar os olhos para as estatísticas. Pelo menos, é isso que parece.
GILBERTO ANTONIO CANTÚ é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar)
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