Numa coisa há que dar razão ao presidente Lula: existem os pessimistas e incrédulos e aqueles que ''não acreditam em nada e já levantam achando que o dia vai ser péssimo sem mesmo abrir a janela''. Ele disse isso aproveitando a oportunidade da vitória olímpica da equipe de voleibol masculino e o feito extraordinário do corredor Vanderlei Cordeiro de Lima, o paranaense de Cruzeiro do Oeste que, impedido de ganhar medalha de ouro pelo ataque que sofreu de um fanático, acabou se convertendo no mais famoso atleta desta Olimpíada, tanto mais do que se houvesse ganhado a classificação máxima. Embora com forte dose de justificativas, o brasileiro é um crítico contumaz do governo e dos seus concidadãos, e com essa sistemática postura torna-se amargo e vai perdendo a própria referência de patriota. O povo deve acreditar em seus valores e em seu país conclamou o presidente, na empolgação pelas vitórias brasileiras na Grécia. Não há como contestar isso, mas o governo contribuiria grandemente para essa mudança de hábitos se desse alguns saltos olímpicos em seu desempenho e não se atrasasse tanto na corrida para as melhorias reclamadas. Assim marcaria mais pontos no ranking de sua atuação e daria motivos para a platéia nacional empolgar-se, aplaudir e despertar a auto-estima a que Lula se refere com frequência. A maratona do governo petista já trilhou quase metade do percurso e, nesse ritmo, poderá terminar a prova sem nenhuma láurea. Se é sempre necessário dizer e repetir que será o povo, e não o governo, o artífice do Brasil desenvolvido que todos almejam, a administração pública especialmente a representada pelos Poderes Executivo e Legislativo será um forte agente desse avanço se resolver participar ou, ao menos, não colocar nenhum ''obstáculo irlandês'' a retardar essa caminhada. Se Lula declara haver-se emocionado pelas conquistas do vôlei e do herói Vanderlei, pode estar certo de que os pessimistas e incrédulos manifestarão a mesma empolgação se receberem boas notícias de Brasília, e serão capazes de uma reversão para a crença e o otimismo. Apesar do pessimismo que ainda cerca os cidadãos e de uma revitalização que falta em seu entusiasmo patriótico, é ainda a união nacional dos brasileiros em torno do ideal do trabalho que alavanca o desenvolvimento, embora ainda as tantas medalhas por alcançar no campo das conquistas econômicas, sociais e políticas. O povo, nessa maratona, faz o papel dos que vão à luta por idealismo e sem patrocínio oficial, e apesar disso conquistando medalhas.

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