Para corrigir os equívocos de 1994 - Mirian Guaraciaba
Mirian Guaraciaba
Para corrigir os
equívocos de 1994
Coordenadores da primeira eleição imaginaram votar as reformas em seis meses e previram um crescimento econômico do país de 7% ao ano. Fernando Henrique Cardoso está pagando, com a sensível queda nas pesquisas de opinião, os erros cometidos no passado: promessas além da conta e previsões extravagantes. Para que não se repitam, assessores de 1998 analisam as propostas de quatro anos atrás e as comparam com a realidade que o país está vivendo hoje.
O grupo político de Fernando Henrique quer começar a campanha com os dois pés no chão. Em 1994, o então formulador do programa de governo, ministro Paulo Renato, previu que em seis meses seriam aprovados os projetos de reforma constitucional. Faltou acrescentar à expectativa do ministro o tempero do parlamento: paciência e malícia política. Ingredientes indispensáveis à negociação de cada projeto. Além da condenável troca de favores, sem a qual o governo jamais tem êxito no Congresso, há quem pense no parlamento.
Há também quem reaja e proponha. Os projetos de emenda constitucional tramitam há mais de três anos no Congresso. A reforma da Previdência, considerada importantíssima para reequilibrar as contas do governo, ainda não foi concluída.
Outro equívoco grave aconteceu na área econômica: assessores de 1994 imaginaram um crescimento do país de 7% ao ano. A média tem sido de 3% e em 1998 poderá ficar em 2%. A crise da Ásia não serve de desculpa.
Aconteceu quase três anos depois da posse de Fernando Henrique. A campanha começa daqui a exatos 25 dias. Até lá, não só Fernando Henrique, mas seus opositores deverão ter discursos afinados e promessas e previsões adaptadas à realidade do país. O eleitor pede para não ser enganado.
Sem polêmica Ministros do Tribunal de Contas da União estarão reunidos terça-feira, 16, para analisar as contas do governo Fernando Henrique Cardoso relativas a 1997. Ao contrário de 1996, as contas devem ser aprovadas, sem problemas.
Fernando Henrique gastou mais do que devia em saúde e educação. No ano passado, ao investigar créditos e débitos relativos a 1996, o TCU condenou governo por ter gasto R$ 55 bilhões a menos na área social em relação ao no anterior.
Palpite errado - A fama de pé-frio impede Fernando Henrique Cardoso de ir a estádios de futebol para assistir aos jogos da Seleção Brasileira. Ontem, o presidente mostrou que também não é bom de palpite. Apostou em 2 a O na partida Brasil x Escócia. Deu 2 a 1, e poderia ter sido muito pior. Em tempo: o colega Carlos Menen é vítima da mesma reputação e foi a Paris assistir à abertura da Copa. Ameaça ficar para a estréia da seleção argentina.
Virou verdade - Desde que Brasília existe, jornalistas de todo o país fazem sistematicamente o mesmo texto em véspera de recesso ou feriadões. Brasília está vazia, repetem, ao informar sobre a debandada dos parlamentares. A distorção é antiga e grave. Desinforma os brasileiros. Afinal, deputados federais somam 513. Senadores, 81, e a capital já tem dois milhões de habitantes. Não há folga de políticos que esvazie a cidade.
Mirian Guaraciaba é jornalista em Brasília
Excepcionalmente, por problemas técnicos, hoje não publicaremos a coluna Informe Folha





