Para bem comunicar
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
J. Roberto Whitaker Penteado 
Meu pai - que foi um dos pioneiros do estudo e do ensino da Comunicação no Brasil -, mais velho e já um pouco cansado, costumava dizer entre sério e brincando: a comunicação entre as pessoas não é apenas difícil; ela é impossível.
Lembro-me da fala de papai enquanto espero, no aeroporto, que voltem a voar os aviões da Ponte Aérea, depois de mais um temporal, e folheio uma publicação americana - Communications Briefings.
De fato, os tópicos desse boletim destinam-se a executivos, para melhorar o desempenho de suas empresas, mas acho que podem servir a todas as pessoas em todos os lugares.
Por exemplo: como diminuir os conflitos, melhorando a comunicação. Pedindo para que uma facção tente reproduzir, verbalmente ou por escrito, os argumentos da outra. Fazendo com que cada lado ponha no papel 10 perguntas para formular ao outro.
Um dos mais frequentes obstáculos à comunicação é a dificuldade que se tem de ouvir, por impaciência ou insegurança. Quais são os indícios de que não se está ouvindo direito? (1) Quando se procura ler a mente de alguém que está falando, pensando O que esta pessoa realmente quer? (2) Quando se tenta antecipar, mentalmente o que o outro vai dizer. (3) Quando só se ouve o que se quer, a chamada percepção seletiva. (4) Quando sua mente viaja e você, sonha acordado. (5) Quando você automaticamente procura checar cada coisa que ouve com sua própria experiência ou opinião. (6) Quando você percebe que quer mudar de assunto muito depressa. (7) Quando você mentalmente despreza ou ironiza o que ouve ou quando concorda com tudo que ouve. Garanto que você se reconheceu - uma ou mais vezes. Mas não se preocupe: tendemos todos a ser maus ouvintes.
Uma outra recomendação saudável é cuidar bem de sua comunicação, sabendo que não basta enviar a mensagem; é necessário acompanhá-la até o destino. Pense na comunicação como uma rua de mão dupla: a comunicação vai e algum feedback confirma que ela chegou. Não confie muito em circulares ou quadros de avisos; prefira a comunicação face a face. Leia a sua mensagem como se a estivesse recebendo e pergunte: estou sendo claro? Considere sua comunicação aos subordinados como um serviço prestado, não como exercício de poder. Quando vier a resposta, pessoalmente ou por escrito, trate-a com respeito. Permita que discordem de você. Encoraje os subordinados e os colegas de trabalho a escrever para você. Olhe o conjunto das suas comunicações de trabalho e veja se elas transmitem credibilidade.
Um dos piores momentos para proliferação da má-comunicação, em qualquer instituição, ocorre quando se organiza uma REUNIÃO! Ninguém, no mundo, sabe quanto tempo e que fortuna em dinheiro se desperdiçam em reuniões que são verdadeiras sessões coletivas de tortura ou vazios desfiles de vaidades. Aí vão umas receitinhas úteis dos experts: (1) Não entre numa reunião para competir com os demais. (2) Ouça o que cada um tem a dizer. (3) Não agrida ninguém. Imponha a sua presença, mas não atropele. (4) Interesse e entusiasmo são contagiosos - tome a iniciativa. (5) Se você dirige a reunião, deixe bem claro a todos o que se está discutindo e o que se espera de cada um. Deixe que os outros liderem a reunião de vez em quando. (6) Deixe o dono do problema dizer se as idéias propostas são boas ou não.
E, se você precisa criticar alguém... Convença a você mesmo de que o seu papel vai ser o de ajudar a pessoa a melhorar seu desempenho. Faça com que sua crítica não venha de cima, como uma bomba, mas no mesmo nível do criticado - como um salva-vidas. Escolha o momento certo para criticar e faça-o oralmente, entre quatro paredes. Mostre como a mudança ou modificação que você está propondo vai ser benéfica para ela. Procure formular sugestões concretas. Ah, e uma última recomendação: só critique alguém se você tiver certeza de que é capaz de aceitar as críticas dos outros.
- J. ROBERTO J. WHITAKER PENTEADO é jornalista.
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